quinta-feira, abril 08, 2010

Hoje a minha tristeza é por tudo aquilo que se perdeu; por tudo aquilo que ameaçou e não chegou a ser; pela idéia que fomos. Pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe. Pelo muito que amei e não me amaram, pelo amor que chegou quando eu parti, pelo que tentei ser correta e não foram comigo.
Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, embora eu busque dividir. O único espetáculo que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.

terça-feira, abril 06, 2010

Like fireworks.

Esquenta,
Explode
e some.

sábado, abril 03, 2010

Identidade

Preciso ser outro
para ser eu mesma.

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem inseto

Sou areia sustentando
o sexo das árvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato
morro
No mundo por que luto
nasço

quinta-feira, março 04, 2010

A verdade é que são tantos devaneios e tormentos me invadindo, que eu me perco ao organizar as idéias. O curioso é que isso se aplica a TODAS as situações da minha vida. Deve ser um sinal...

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

#ihatepeople

O simples desejo de hoje é ficar sozinha. Só queria achar um lugar onde pessoas não existissem.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Não.

Eu sempre acreditei, e vivi de acordo com essa filosofia, de que é sempre melhor se arrepender de algo que fez do que ficar pensando no "se...". O bordão é simples: tá no inferno, abraça o capeta, depois, se for o caso, curte uma ressaca moral de durabilidade variada. É o preço.
Fato é que eu descobri que também paga-se bem caro por permitir-se.

terça-feira, janeiro 19, 2010

Retrato.

Uma mordidinha prá sentir o gosto
Um cheirinho para sentir o perfume
Um beijinho rápido, uma ilusãozinha
a quantos basta uma amostra grátis

Não consigo molhar os pés apenas
eu mergulho e só paro quando me afogo
eu me queimo e só paro quando derreto
eu me jogo e só paro quando me param.

domingo, janeiro 17, 2010

São tantos os desencontros que a vida nos proporciona que a ironia não é privilégio de poucos. Tantos bateres de asas de borboletas confeccionam nosso presente, que fica difícil acreditar que o destino possa ser sádico. Mas é.
Nunca existiu a hora certa. São as peças que a vida prega... O passado não é cogitado, o presente é equivoco e não existe futuro.
Somos a diversão dos cosmos. A piada da vida.

.
.

Saudade eu tenho do que não nos coube
Lamento apenas o desconhecido
Daquilo que não deu tempo de repartir
Você não saboreou meu suor
Eu não lhe provei as lágrimas
É no líquido que somos desvendados
No gosto das coisas o amor se reconhece
O meu pior e o meu melhor e os seus
Ficaram sem ser apresentados

[M.M]

quarta-feira, janeiro 13, 2010

By M.M.

Eu triste sou calada
Eu brava sou estúpida
Eu lúcida sou chata
Eu gata sou esperta
Eu cega sou vidente
Eu carente sou insana
Eu malandra sou fresca
Eu seca sou vazia
Eu fria sou distante
Eu quente sou oleosa
Eu prosa sou tantas
Eu santa sou gelada
Eu salgada sou crua
Eu pura sou tentada
Eu sentada sou alta
Eu jovem sou donzela
Eu bela sou fútil
Eu útil sou boa
Eu à toa sou tua.

terça-feira, dezembro 22, 2009

Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar. Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar. Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é covarde mas atento, meio fajuto, meio autêntico, sumi porque sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência, pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida permanência.

terça-feira, dezembro 15, 2009

Acredito que não seja um bom momento prá que as palavras sejam registradas. Por enquanto estão todas ao vento (e aos ouvidos de psicanalistas). Deixo a vez para os mestres.
..
..

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir

domingo, novembro 22, 2009

A pior coisa, prá uma pessoa que foi feita pro mundo, é tentarem cortar suas asas. Liberdade é pouco, o que eu quero ainda não tem nome.

sexta-feira, novembro 20, 2009

Eu cheguei num nível em que não sei mais distinguir o que foi real ou inventado. Fazer da vida um erro já é tão constante que a culpa não é mais visita e sim pensionista de mim. Só que quem paga bem caro sou eu.

terça-feira, novembro 10, 2009

Caio diz por mim

Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica psicanálise drogas acupuntura suicídio ioga dança natação Cooper astrologia patins marxismo candomblé boate gay ecologia, sobrou só esse nó no peito, agora o que faço? [C.F.A]

domingo, novembro 08, 2009

Escolha uma faculdade. Escolha uma roupa prá sair. Escolha um filme. Escolha um namorado. Escolha seus amigos. Escolha praia, ou campo. Escolha um estilo. Escolha beber ou ficar careta. Escolha ir ou faltar. Escolha mentir ou dizer a verdade. Escolha levantar ou esperar os cinco minutinhos. Escolha mudar ou ficar na mesma. Escolhas que mudam o curso do nosso destino. Escolhas que sentenciam o preço a ser pago. Escolhas...

quinta-feira, outubro 15, 2009

repito.

Eu falo de amor à vida, você de medo da morte.
Eu falo da força do acaso e você de azar ou sorte.
Eu ando num labirinto e você numa estrada em linha reta.
Te chamo pra festa, mas você só quer atingir sua meta.
Sua meta é a seta no alvo, mas o alvo, na certa, não te espera.
Eu olho pro infinito, você de óculos escuros.
Eu digo: "Te amo!" E você só acredita quando eu juro.
Eu lanço minha alma no espaço, você pisa os pés na terra.
Eu experimento o futuro e você só lamenta não ser o que era.
E o que era?Era a seta no alvo, mas o alvo, na certa, não te espera.
Eu grito por liberdade, você deixa a porta se fechar.
Eu quero saber a verdade e você se preocupa em não se (me) machucar.
Eu corro todos os riscos,você diz que não tem mais vontade.
Eu me ofereço inteira e você se satisfaz com metade.
É a meta de uma seta no alvo, mas o alvo, na certa não te espera!
Então me diz qual é a graça de já saber o fim da estrada, quando se parte rumo ao nada?

quinta-feira, setembro 24, 2009

São Paulo da garoa, em plena tempestade bem na hora de ir trabalhar. A chuva é um sinal de azar em dias úteis e horário comercial. Meia molhada, cabelo desgrenhado, guarda-chuva que insiste em quebrar. Mas no meu caso, o problema foi a não existência de um.
O guarda-chuva e eu temos problemas pessoais, onde ele está eu não estou e vice-versa. Só que dessa vez eu precisava dele, desejava um guarda chuva mais do que o Brad Pitt pelado na minha cama.
Eis que eu, condenada a vários pingos vis, peguei o elevador e me deparei com uma senhorinha que nunca tinha visto nas dependências do humilde barraco. Papo vai, papo vem, "que chuva", "desde de manhã"," não tenho guarda chuva" e o elevador parou no destino de ambas. Conformada que não teria jeito, meu fim era trabalhar com a meia molhada, encarei a porta de saída quando de repente uma vozinha ecoa "Olha, minha filha, me leva na esquina e vá trabalhar com meu guarda-chuva, não tem problema, amanhã você me devolve". Hesitei alguns instantes, olhei pro guarda-chuva, prá vovozinha, prá tempestade e aceitei a boa ação.
Fiquei em estado de choque como ainda tem pessoas que não se acham o umbigo do mundo.
.
.
O único problema foi que o karma foi cumprido e eu esqueci o guarda-chuva de terceiros no trabalho.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Foi um clique atrevido que despertou minhas memórias. Um clique curioso acendeu lembranças que um dia fiz questão de esquecer. E fiquei horas rodopiando nessa nostalgia da nossa história. Olhei sua foto, baixei os olhos e tive plena convicção de que valeu a pena.

segunda-feira, setembro 14, 2009

Insônia.

A insônia está quase personificada na minha vida. Estou a ponto de chamá-la para um café, trocar algumas idéias, alguma coisa que faça do ócio torturoso algo criativo. Que pelo menos ela sirva para aliviar as angústias, e não apertá-las. Se é para ela vir e ficar, que ouça os meus desabafos.

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Fernando Pessoa ( Álvaro de campos )

Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.
Espera-me uma insônia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.
Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite — Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!
Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!
Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam —
Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam —
Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.

Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.
Estou escrevendo versos realmente simpáticos —
Versos a dizer que não tenho nada que dizer,
Versos a teimar em dizer isso,
Versos, versos, versos, versos, versos...
Tantos versos... E a verdade toda, e a vida toda fora deles e de mim!

Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir.
Sou uma sensação sem pessoa correspondente,
Uma abstração de autoconsciência sem de quê,
Salvo o necessário para sentir consciência, Salvo — sei lá salvo o quê...
Não durmo. Não durmo. Não durmo.
Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma!
Que grande sono em tudo exceto no poder dormir!
Ó madrugada, tardas tanto... Vem... Vem, inutilmente,
Trazer-me outro dia igual a este, a ser seguido por outra noite igual a esta...
Vem trazer-me a alegria dessa esperança triste,
Porque sempre és alegre, e sempre trazes esperança,
Segundo a velha literatura das sensações.
Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança.

O meu cansaço entra pelo colchão dentro.
Doem-me as costas de não estar deitado de lado.
Se estivesse deitado de lado doíam-me as costas de estar deitado de lado.
Vem, madrugada, chega!
Que horas são?
Não sei. Não tenho energia para estender uma mão para o relógio,
Não tenho energia para nada, para mais nada...
Só para estes versos, escritos no dia seguinte.
Sim, escritos no dia seguinte.
Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte.

Noite absoluta, sossego absoluto, lá fora.
Paz em toda a Natureza.
A Humanidade repousa e esquece as suas amarguras.
Exatamente.
A Humanidade esquece as suas alegrias e amarguras.
Costuma dizer-se isto.
A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece,
Mas mesmo acordada a Humanidade esquece.
Exatamente.
Mas não durmo.

quarta-feira, setembro 02, 2009

E a dor aparece quando você vê que não uma, mas várias pessoas te habitam, e você acaba sendo expulso de si próprio.

terça-feira, setembro 01, 2009


Deixo tudo assim

não me importo em ver a idade em mim

ouço o que convém

eu gosto é do gasto

sei do incômodo e ela tem razão quando vem dizer

que eu preciso sim

de todo o cuidado

e se eu fosse o primeiro a voltar pra mudar

o que eu fiz

quem então agora eu seria

ahh, tanto faz

e o que não foi não é

eu sei que ainda vou voltar

mas eu quem será?

deixo tudo assim

nao me acanho em ver

vaidade em mim

eu digo o que condiz

eu gosto é do estrago

sei do escândalo e eles tem razão quando vem dizer

que eu não sei medir

nem tempo e nem medo

e se eu for o primeiro a prever e poder

desistir do que for dar errado

ahhh ora se não sou eu,

quem mais vai decidir

o que é bom pra mim?

dispenso a previsão.

ahhh, se o que eu sou

é tambem o que eu escolhi ser,

aceito a condição.

vou levando assim

que o acaso é amigo

do meu coração.

quando fala comigo,

quando eu sei ouvir.

quarta-feira, agosto 26, 2009

um olhar sobre o divã.


A resistência foi bem alta prá admitir que precisava chegar ali. Foram alguns meses prá que a ligação fosse feita e enfim tivesse um encontro marcado. "Eu vou falar o quê?".

Segunda-feira de manhã, cabeça de ressaca, boca seca e a sala de espera vazia. A primeira idéia ao sentar é levantar e ir embora, mas minha resistência é boa até nisso. Eu entro e contradizendo meus pensamentos, as palavras voam, e os olhos, assim como a boca, continuam secos. Surpresa. Leveza.

Minha alma se esvazia e encontro a verdade fria. E envolvida por essa descoberta, ando pelas ruas de Higienópolis sentindo o vento e a garoa de um dia nublado e frio, como a própria verdade em mim.

quinta-feira, agosto 20, 2009

Aquele que diz que depois da tempestade vem a bonança deveria ter um terceiro ponto de vista. Quando a tempestade de fato vem, incrivelmente tiramos força do lugar mais profundo de nossa existência para sobrevivermos a ela, e dificilmente fracassamos.
A dificuldade está na calmaria, no silêncio, na adaptação de uma nova realidade possível. Se alguém morre, não é na despedida que o coração dói até não podermos aguentar; se o namoro acaba, não é no último beijo que a ausência vai dar as caras. O cotidiano é que vai mostrar qual é o tamanho da ferida enfim, naquele momento em que se é invadido de pensamentos e que a realidade cai com cem quilos em cima das costas. É aquela hora em que vai ter sempre alguém tentando dizer algo para confortar ou para esclarecer sendo que até o conforto tem tempo certo para chegar.
A vida é isso aí mesmo, cheia de turbilhões, de altos e baixos, e o mundo não vai parar porque tem uma nuvem em cima de você. Nessas horas me vem sempre um fragmento de D. Quixote na cabeça: "Sabe Sancho, todas essas borrascas que nos sucedem são sinais de que breve há de serenar o tempo e hão de correr-nos bem as coisas, porque não é possível que o mal e o bem sejam duráveis: donde se segue que, havendo durado muito o mal, o bem está próximo". E tentando acreditar na indurabilidade de tais borrascas nós nos arrastamos pelo mal bocado que seja, tornando no final um grande espetáculo de bom humor.

sexta-feira, agosto 14, 2009

Eu não consigo escrever. Tá foda! Pronto, falei.

domingo, agosto 02, 2009

extra umbigo.

Estamos a poucos dias da nova lei anti-fumo entrar em vigor e eu deveria estar revoltada, mas não. Várias baladas já começaram a por em prática a lei saudável e por acaso, ontem, eu fui à uma delas. Não sei se pela ressaca do dia anterior, mas não senti a menor falta do monóxido de carbono na minha boca, então fiquei assistindo ao desespero dos fumantes sem ressaca que batiam boca com seguranças, tentavam burlar a lei no banheiro, entre outras táticas falíveis.
Entretanto, mais gostoso que fumar foi chegar em casa e não ter a vontade de jogar minha roupa no lixo e passar máquina zero no meu cabelo por causa do cheiro do cigarro. Limpa, com cheirinho de perfume e não de tainha defumada na fogueira.

segunda-feira, julho 27, 2009

conclusão drástica

Só há um meio de sair do inferno: é nos convertermos em diabo.

E tenho dito.

domingo, julho 19, 2009

blindness

Aconteceu que a partir daquele momento você me curou da cegueira. Uma pena, porque estar cego é um dos maiores sinais da paixão.

quinta-feira, junho 25, 2009

Aquela mistura: correr riscos, ter cautela, muito sonho, cotidiano. Presença e... um pouquinho de ausência. Um pouquinho assim ó: V-A-S-T-O. Junto o risco, a cautela, o sonho, o cotidiano, a presença, o pouquinho de ausência com meus planos, meu passado, meu presente, um copo d' água.
Deito na cama. Abro um livro e procuro Clarice. Café quente na caneca, um tanto de auto-crítica, música e o fechar dos olhos. Sarcamos apimentados e deslizes doces me faltam. Um pouco de todas coisas se calam ou dançam em mim. Assim: confuso, esquisito, desconexo. largo, escuro. Reflexo.
Dentro é denso, um caldo. Meu recheio assim, receoso de provar.

sábado, maio 23, 2009

go on.

Você me chama
Eu quero ir pr'o cinema
Você reclama
Meu coração não contenta
Você me ama
Mas de repente
A madrugada mudou
E certamente
Aquele trem já passou
Se passou, passou
Daqui prá melhor
Foi!...
Só quero saber
Do que pode dá certo
Não tenho tempo a perder
Só quero saber
Do que pode dá certo
Não tenho tempo a perder...
-"Não é o meu país
É uma sombra que pende
Concreta
Do meu nariz em linha reta
Não é minha cidade
É um sistema que invento
Me transforma
E que acrescento
À minha idade
Nem é o nosso amor
É a memória que suja
A história que enferruja
O que passou
Não é você
Nem sou mais eu
Adeus meu bem
Adeus! Adeus!
Você mudou, mudei também
Adeus amor! Adeus!E vem!"

domingo, maio 10, 2009

Deitada sob luz clara, levemente enrolada sob um edredom estampado, surpreendo-me tocando a ponta dos dedos, um de cada vez, num pedacinho da coberta. Como se tocasse piano ou batesse dedo a dedo na madeira de uma mesa, apalpar o edredon me trouxe uma sensação nostálgica da infância.
Me lembro de pequena ter tido um pequeno travesseiro com o qual eu dormia fazendo o mesmo movimento com os dedos todas as noite. Um dia o travesseirinho foi embora e eu continuei minha mania com o edredom. E até hoje ela permanece viva, ao acordar, antes de dormir, no ócio, o edredom traz um momentinho de autoprazer.
E você, qual sua mania de criança trazida para o mundo adulto?

quarta-feira, maio 06, 2009



As pessoas são realmente muito esquisitas.
Olhando assim de perto eu começo a acreditar que sou normal. Se bem que eu sigo o bonde e nem lembro do freio. Ê problema!

terça-feira, abril 14, 2009

sonetos - VI

Em mim também, que descuidado vistes,
Encantado e aumentando o próprio encanto,
Tereis notado que outras cousas canto
Muito diversas das que outrora ouvistes.

Mas amastes, sem dúvida ...Portanto,

Meditai nas tristezas que sentistes:
Que eu, por mim, não conheço cousas tristes,
Que mais aflijam, que torturem tanto.
Quem ama inventa as penas em que vive;
E, em lugar de acalmar as penas, antes
Busca novo pesar com que as avive.

Pois sabei que é por isso que assim ando:
Que é dos loucos e somente dos amantes
Na maior alegria andar chorando.

Olavo Bilac

Achei sem querer algo que conseguisse dizer muito mais que as minhas palavras.

past perfect

É surpreendente ver o passado bem na sua cara. É assustador ver a imagem, de algo que passou ou que ainda passa, te medindo e decifrando. E ver você medindo e decifrando tanto quanto ela.
São assustadoras as ações e suas respostas.
É um nó que ninguém arranca da garganta. É a lágrima que não escorre. É a palavra que não sai.
É uma mentira sussurrada, uma presença que incomoda.
É a foto de um corpo curvado diante de um violão e os olhos fechados para cegar algo que já não existe mais.

Em mim... as mãos atadas.

quarta-feira, abril 01, 2009

detalhes:

"É preciso entrar em relacionamentos com igualdade entre ambos os lado, tanto um quanto outro prontos para dar - não com uma pessoa querendo uma trepada rápida e a outra desejando amor de verdade. Eu acho que é daí que vem toda a agonia, que existe um desequilíbrio, pois as pessoas não tem certeza suficiente de si mesmas ou do que querem da vida ou de qualquer coisa."
Ensaios de amor- Alain de Botton.

O suficiente é para quem não ama. No amor só existem infinitos.

segunda-feira, março 30, 2009

A dor me pegou por trás e me puxou os cabelos. Forte, como era usual do amor. A dor tá me comendo olhando nos meu olhos, me cobrindo de mordidas e lambidas, como o amor. A dor sussurrou palavras ao pé do meu ouvido e me fez estremecer, mas não de amor.
Uma lágrima escorreu dos meu olhos, mas não foi aquela a qual o prazer do amor exprime. Dos meu olhos escorreram a própria dor.

O que eu choro é água com sal.

domingo, março 29, 2009

coisas de uma fanfarrona estúpida.

Eu sempre insisti sobre querer apagar as coisas da memória. Sim, deveria ser uma escolha. Querer ou não, simples assim. Porém, a única e fatal falha que eu consigo perceber ( e essa por incrível que pareça não me inclui) é tentarem apagar vestígios de algo consumado.
Os fatos e pensamentos constituem o que você é hoje, independente do seu gosto. Arrepender-se ou vingar-se não remediarão o gosto amargo da sua boca. Tentar apagar pode trazer alívio aos olhos, mas forma feridas tristes e profundas. E o pior disso: elas cicatrizam.

terça-feira, março 17, 2009

mais uma constatação (in)feliz.

Eu não sei ficar sozinha, mesmo que as condições passageiras, tipo, de uma semana, me levem à isso. Então, resolvi dar festas todos os dias!

Se não é a dois, tem que ser a dez...

quinta-feira, março 12, 2009

Ai, que saudade d'oce!


Não se admire se um dia
Um beija-flor invadir
A porta de sua casa
Te der um beijo e partir
Fui eu que mandei o beijo
Pra matar meu desejo
Faz tempo que não te vejo
Ai, que saudades d'ocê
Se um dia você se lembra
Escreva uma carta pra mim
Bote logo correio
Com frase dizendo assim
Faz tempo que não te vejo
Quero matar meu desejo
Te mando
um monte de beijo
Ai, que saudades sem fim
E se quiser recordar
Aquele nosso namoro
Quando ia viajar
Oce cai no choro
E eu chorando pela estrada
Mais o que eu posso fazer
Trabalhar é mina sina
Eu gosto mesmo é d´ocê

segunda-feira, março 09, 2009

a voz presente, a voz ausente.

Há um ano atrás meu telefone tocava todo dia. Pontualmente no horário de almoço.
A voz do outro lado trazia a calma a qual a ansiedade havia devorado.
Essa mesma voz trazia cores, sabores e cheiros proporcionando a fantasia da ligação. Eram tantas experiências descritas que minha reação ficava limitada a surpresa ( mesmo que fosse esperada) e a alegria de poder ouvir.

Hoje, meu telefone não toca mais.

terça-feira, março 03, 2009

- Você não está feliz?
- Claro que sim.


... Mas meu estômago não tinha certeza disso, e foi sozinha no ponto de ônibus que eu percebi o quanto eu consigo ser egoísta.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Quero que cessem as exigências àquele a quem entreguei minha confiança.
Não quero parar de exigir apenas porque amo e porque no amor está o que cega e o que ensurdece, mas porque essas cobranças não são parte de mim.
Por me conhecer pouco não me permito juras e assim desconfio do jurador. Por ser enganada a quem fui leal e por enganar a quem me teve fidelidade.
Existem coisas que estão tão a sombra do passado que nada vai restar além da dúvida. E quem aqui se contenta com dúvidas?

quarta-feira, janeiro 21, 2009

mundo, vasto mundo...

...se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.


Os meu pés não são da terra, não. São da Lua, de qualquer lugar sem limites.
Meus desejos, hoje, tropeçam e ultrapassam qualquer barreira. Quero Berlim, Moscou, Budapeste. Quero todos os gostos, os cheiros. Movimentos e cores. Quero tudo que não me basta e nunca bastará. Qualquer vida é pequena comparada ao mundo, mundo, vasto mundo.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

momento sem tempo.

por um instante senti o corpo pesando sobre o meu, as cabeças em sentidos contrários, o calor da respiração. Minhas mãos passeavam por suas costas desenhadas e eu consegui desmentir aquilo que por tanto tempo afirmei com pura convicção: ninguém consegue pensar em nada, todo mundo tem nem que seja um esboço de pensamento e que essa é a mentira mais deslavada que dizem. Ao contrário, eu não pensei em nada. Não quis imaginar o futuro nem lembrar do passado; não tentei decifrar quais devaneios povoavam sua mente; não criei situações; não cantei no mudo. Eu senti e voltei toda minha concentração para sinestesia de passear minhas mãos por suas costas desenhadas. Ir e voltar, ir e voltar, ir e voltar...


... até os olhos se fecharem.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

2000inove.

Não fiz nenhum balanço de 2008 e nenhuma promessa prá 2009. Eu costumo quebrar todas as minhas promessas e creio já estar perdendo a credibilidade com os deuses.
Pela primeira vez eu senti receio do começo do ano, de olhar pelos 300 e tantos dias que tenho pela frente e não enxergar o que me espera. Sem planos a longo prazo, apenas com obrigações já antes comprometidas prestes a terminar.
É, 2000inove ( a la bradesco), vou lá, que andar é reconhecer. Guarde um sonho bom prá mim.

terça-feira, dezembro 23, 2008

JOSÉ

E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José?
Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José?
E agora, José? Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio - e agora?
Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais. José, e agora?
Se você gritasse, se você gemesse, se você tocasse a valsa vienense, se você dormisse, se você cansasse, se você morresse... Mas você não morre, você é duro, José!
Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, José! José, para onde?
.
.
Ao José. Ao fim do ano.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

mais uma do ócio.




Curiosamente descobri que são quatro os tipos de TPM, e que para cada um há um tipo de tratamento específico. Eu tenho todos.

terça-feira, dezembro 16, 2008

mal do século.

Nesse dias de ócio que a laringite me proporcionou, tive a possibilidade de bisbilhotar os universos on line alheios e pude perceber o mote de quase todo desabafo via web ( conhecido como blog) é uma compadecência de si mesmo. "Eu não sei quem sou", "não sei porque vim", "não sei o que fazer" e "sinto um vazio" são reproduzidos das mais diversas maneiras utilizando das mais curiosas metáforas. Mal de amor e mal de si mesmo são traduzidos em bilhões de páginas, e vejam, para tanta súplica não há nenhuma solução ( dos autores e dos leitores), apenas uma compaixãozinha tola.

Era da depressão via web.
foda-se.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Olhos de ressaca


" Não marquei a hora exata daquele gesto. Devia tê-la marcado; sinto falta de uma nota escrita naquela mesma noite, e eu que poria aqui com os erros de ortografia que trouxesse, mas não traria nenhum, tal era a diferença entre o estudante e o adolescente. Conhecia as regras do escrever sem suspeitar as do amar. tinha orgias de latim e era virgem de mulheres."
" Os olhos continuaram a dizer coisas infinitas, as palavras de boca é que nem tentavam sair, tornavam ao coração caladas como vinham."
Capitu me surpreendeu. Os cenários com aspectos teatrais e diálogos inteiros retirados de D. Casmurro montaram uma reprodução fidelíssima que emociona. Machado traduz emoções nas palavras.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

ponto final.

A faculdade acabou. Foi dado um ponto final às Letras. Quem sabe até reticências para alguns... Mas para muitos é aqui que acaba essa estrada. E mesmo com toda a sensação de alívio indescritível de finalmente se livrar de todos os apuros que nos acompanharam todos estes anos, é doloroso despedir-se. Um costume de tudo aquilo ficará guardado, e vamos estranhar não ter a obrigação de acordar cedo.
O mais importante da faculdade é a bagagem de vida que você carrega prá fora dali, e algumas coisas que notei que quebraram todos os meu paradigmas sonhadores antes de entrar em território universitário foram:

Não importa o quão tarde é a sua primeira aula, você vai dormir durante ela;
Você vai mudar completamente e nem vai notar;
Você pode amar várias pessoas de maneiras diferentes;
Alunos de faculdade também jogam aviões de papel durante as aulas;
Se você assistir às aulas calcado, todo mundo vai perguntar por que você foi tão chique para a faculdade;
Se você era inteligente no colegial... azar o seu!
Não importa tudo o que você prometeu quando passou no vestibular, você vai às festas da faculdade, mesmo que sejam na noite anterior à prova final;
Você pode saber toda a matéria e ir mal na prova;
Você pode saber nada da matéria e tirar dez na prova;
A sua casa é um ótimo lugar para se visitar;
A maior parte da educação é adquirida fora das aulas;
Se você nunca bebeu, vai beber;
Se você nunca fumou, vai fumar;
Se você nunca transou, vai transar;
Se você não fizer nada disto durante a faculdade, não fará nunca mais na vida, a não ser que você faça uma nova faculdade;
Você vai se tornar uma daquelas pessoas que seus pais falaram para você nao se meter com elas; Psicologia é, na verdade, biologia;
Letras vira pedagogia;
Falar errado é linguística;
Ou seja, que mesmo depois de estudar anos, você nao vai saber nada;
Que sentir depressão, tristeza, desespero, raiva, falta de paciência não são frescuras de quem não tem o que fazer;
Que terão professores que vão marcar o resto de sua vida;
E outros que se você encontrar na rua, dará graças a Deus por não andar armado;
Que você come muito, mesmo que a comida seja ruim;
Que você sempre vai prometer que no próximo semestre você vai estudar mais, festar menos mas ciente de que não vai cumprir;
Uma das coisas que realmente compensam na faculdade são os amigos que você fará la;
Nao verá a hora de terminar a faculdade;
E quando terminar, perceberá que foi a melhor época de toda a sua vida.

sexta-feira, novembro 14, 2008

da irreversibilidade dos fatos e do tempo

A cidade enlouquece sonhos tortos
Na verdade nada é o que parece ser
As pessoas enlouquecem calmamente
Viciosamente, sem prazer
A maior expressão da angústia
Pode ser a depressão
Algo que você pressente
Indefinível
Mas não tente se matar
Pelo menos essa noite não
As cortinas transparentes não revelam
O que é solitude, o que é solidão
Um desejo violento bate sem querer
Pânico, vertigem, obsessão

Tá sozinha, tá sem onda, tá com medo
Seus fantasmas, seu enredo, seu destino
Toda noite uma imagem diferente
Consciente, inconsciente, desatino

Já que me falta cabeça e palavra uso as do Lobo Bobo que, hoje, expressam mais do que deviam as idéias e atos dessa cabeça onde só falta: idéia, foco e principalmente JUÍZO.

terça-feira, outubro 21, 2008

São as coisas que não podem ser ditas que me corroem.
Dá onde mais vou tirar abstração?

sexta-feira, outubro 17, 2008

O negócio é ser filha da puta logo de cara.

segunda-feira, outubro 13, 2008

prazo de validade - das pessoas.

Que seja por vivermos em um sistema capitalista ou qualquer razão de causa raiz não identificada, essa coisa de troca afetou mais do queseres inanimados. Há tempos objetos são facilmente substituíveis e essa maravilha agora atinge também pessoas ( de carne e osso, sim). Amamos, desejamos, sofremos pelo tempo em que nos é conveniente.

- Ok, se não está bom prá você arrume outra pessoa.
ou
- Prá mim não dá mais. Você é legal, mas ....

Prático, simples como trocar um parafuso. Por que não? Já convivemos com esse hábito em meio a tantas outras coisas, não haveria de ser diferente com gente. Daqui a pouco haverá prazo de validade para qualquer tipo de sofrimento ou sentimento minimizando tanto que ninguém vai mais lugar prá nada.

Tentam incansavelmente me provar que sim, as pessoas são descartáveis. E eu, cética, me nego a ceder a tal discurso. Para mim, cada um é uma ferida.

quinta-feira, setembro 25, 2008

assim eu invento.

" É de notar que o ar vem do ar. De sofrer e amar a gente não se desafaz. Ele queria apenas os arquétipos, platonizava. (...) Reportava a lenda a embustis, falsas idéias escabrozas. Cumpria lhe descaluniá-la, obrigava-se por tudo. Trouxe a boca de cena do mundo, de caso razo, o que não fora tão claro como água suja.
Demonstrando-o amatemático, contrário ao público pensamento e à lógica, desde que Aristóteles a fundou. O que não era tão fácil como refritar almôndegas. Sem malícia, com paciência, sem insistência principalmente.
O ponto está em que soube, de tal arte: por antipesquisas acronologia miúda, conversinhas escudadas, remendados testemunhos. (...) Genial operava o passado - plástico e contraditório rascunho. Criava nova transformada realidade, mais alta. Mais certa?"

A verdade inventada é mais realidade que a própria, para mim.
Vivendo e (dis)simulando.

domingo, setembro 21, 2008

"pode ser cruel a eternidade."

Me ligaram numa manhã de sábado e disseram que meu herói estava fraquinho.
Eu não conseguia entender, afinal falávamos de um superherói e eles nunca ficam doentes. Minha vontade era correr e fazer todas as vitaminas possíveis para que ele ficasse forte de novo. Buscaria ingredientes de receitas mágicas infalíveis para ver saúde, mas me interromperam e em meio a soluços eu parei. E impotente assisto. E engulo todo choro e tento transformar ( como os heróis) em força. Mas ainda não entendo.
Quando criança eu via meus heróis transbordando vivacidade e cri que eles sempre estariam ali. Eu me enganei uma vez e me recuso a me enganar de novo. Um dos meus heróis está fraquinho, sim, mas me disseram que heróis sempre vencem no final.

=/

domingo, setembro 07, 2008


[last lines]
Joel: I can't see anything that I don't like about you.
Clementine: But you will! But you will. You know, you will think of things. And I'll get bored with you and feel trapped because that's what happens with me.
Joel: Okay.
Clementine: [pauses] Okay.



O que faz uma pessoa escolher alguém para dividir seu corpo e sua alma; para dividir os três tempos; para dividir prazeres luxuriosos e amorosos? Quais são os critérios para ter com quem compartilhar o sono, o dia, o filme, o nada? O que faz você saber?

A indisposição me fez crer, um dia, que a individualidade era a saída. Havia eu e o resto do mundo, enquanto todos se faziam em pares. E durante tempos pensei, e por muitas vezes vi, que essa era a peça que o destino me pregava. Poderia ser castigo pelo meu desassossego constante.
Foi então que num abraço eu deixei de ser ímpar e senti a felicidade da pluralidade.

P.S.: Outra foto do Brilho Eterno, que por coincidência postei um dia anterior a assistir o filme pela 40a. vez também por acaso.

segunda-feira, setembro 01, 2008


"Colada à tua boca a minha desordem.

O meu vasto querer.

O incompossível se fazendo ordem. Colada à tua boca, mas descomedida

Árdua

Construtor de ilusões examino-te sôfrega

Como se fosses morrer colado à minha boca.

Como se fosse nascer

E tu fosses o dia magnânimo

Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer."
( Do desejo - Hilda Hilst)
Olho para cima e vejo o retrato de nós. Enxergo por trás da imagem entrelaçada pedaços de passado e um futuro que não se sabe quando.
Tudo que eu queria era eternizar.


sexta-feira, agosto 29, 2008

É cada vez mais difícil manter olhos fechados em plena luz. Que venha o breu, para os equívocos parecerem acertos pelo menos por enquanto.

terça-feira, agosto 26, 2008

é e não é.

A vulnerabilidade das pessoas me assusta a ponto de contestar a sanidade mental delas - e minha. Essa volubilidade torna a confiança uma prática cada vez mais difícil, porquê aquilo que era pode não ser mais na velocidade de uma piscada de olho - a mesma velocidade que faz seu queixo cair e seu estômago revirar. Velocidade esta bem contrária da sua cabeça que fica dias ( se você tiver muita sorte) tentando compreender o que acontece.
Quer uma solução rápida? Pense que todo mundo ficou louco! Garanto que dói menos do que por em xeque coisas como caráter, expectativas, lealdade.


Seus próprios paradigmas se transformam em cacos, e não se iluda com a idéia de tê-los quebrado: Fizeram isto por você.

terça-feira, agosto 19, 2008

Bossa na Oca





















Mesmo com toda a fama, com toda a brahma
Com toda a cama, com toda a lama
A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando
A gente vai levando essa chama
Mesmo com todo o emblema, todo o problema
Todo o sistema, todo Ipanema
A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando
A gente vai levando essa gema
Mesmo com o nada feito, com a sala escura
Com um nó no peito, com a cara dura
Não tem mais jeito, a gente não tem cura

Mesmo com o todavia, com todo dia
Com todo ia, todo não ia
A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando
A gente vai levando essa guia
Mesmo com todo rock, com todo pop
Com todo estoque, com todo Ibope
A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando
A gente vai levando esse toque
Mesmo com toda sanha, toda façanha
Toda picanha, toda campanha
A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando
A gente vai levando essa manha
Mesmo com toda estima, com toda esgrima
Com todo clima, com tudo em cima
A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando
A gente vai levando essa rima
Mesmo com toda cédula, com toda célula
Com toda súmula, com toda sílaba
A gente vai levando, a gente vai tocando,
a gente vai...



Notas sobre "consequência inevitável
de você
"

1º- Gosto de ir à exposições sozinha.
2º- Bateu uma nostalgia de uma época que eu não vivi.
3º- Quero morar no Rio de Janeiro.

domingo, agosto 17, 2008

Se antes eu tinha problemas com a noite, digo que agora o dia resolveu se juntar formando um complô. As 24 horas se arrastam e pesam sobre as minhas costas.
De repente o desvio do foco se tornou a razão de cada passo e busco incansavelmente a minha parcela de culpa para que nada perca o sentido. Para aquilo o que eu quero que haja motivo eu procuro não pensar. Não pensar para dormir. Não querer para sentir. Não esperar para sorrir.
Fechar os olhos, enfim.

segunda-feira, julho 28, 2008

eu não duvido.

Não, eu não duvido. Acabou há muito tempo a minha habilidade de duvidar das pessoas.
A gente perde tempo e a mão no fogo acreditando na cara de cada um e deixando de ver o coração, de fato.



... depois eu volto.

terça-feira, julho 01, 2008

A ressaca alcoolica
a ressaca moral
as merdas faladas
as merdas feitas
as merdas lembradas
as merdas que fizeram com vc
as merdas que você fez com os outros
a amnésia
a dor de cabeça
a sede
o estômago embrulhado
as fofocas (sobre vc)
aquele roxo no joelho
aquele roxo no cotovelo
aquele roxo na cara
a dor no pé
o rosto inchado
a depressão
a nostalgia
o frio na barriga

quinta-feira, junho 26, 2008

Breve descrição

"Desassossegados do mundo correm atrás da felicidade possível, e uma vez alcançado seu quinhão, não sossegam: saem atrás da felicidade improvável, aquela que se promete constante, aquela que ninguém nunca viu, e por isso sua raridade.

Desassossegados amam com atropelo, cultivam fantasias irreais de amores sublimes, fartos e eternos, são sabidamente apressados, cheios de ânsias e desejos, amam muito mais do que necessitam e recebem menos amor do que planejavam.

Desassossegados pensam acordados e dormindo, pensam falando e escutando, pensam antes de concordar e, quando discordam, pensam que pensam melhor, e pensam com clareza uns dias e com a mente turva em outros, e pensam tanto que pensam que descansam."

quarta-feira, junho 11, 2008

quase um deja vu.

Lembro que em junho do ano passado passava pela mesma coisa: despedidas, algumas lágrimas, nostalgia antecipada. Igual. Grandes ciclos se fechando.
No fim de mais essa etapa concluí que não nasci prá ser desapegada. Eu tento e vou morrer tentando, porque sei que isso diminuiria meu sofrimento em pelo menos 50%. Mas a cada rosto que diferente que aparecia na minha frente, todos com o mesmo objetivo, via uma história diferente. E começando às 14h ( algumas vezes antes, outras depois) eu aprendi a compartilhar vida; e comecei a entender que cada um tem seu ponto fraco e é nele que devemos focá-lo; que existem pessoas que já te conheciam há anos e vocês se deram conta no último segundo; que você vai lidar com famílias inteiras; que vai virar adolescente outra vez adentrando nesse unvierso, e mais que isso, fazer papel de mãe, de psicológa, de enfermeira, tentando retratar o mundo deles dali a alguns anos. E vai ouvir que fulana gosta do ciclano que fica com a menina do 1o B e fazer cara de abismada com isso: "como pode?!"; ouvir o cotidiano da pessoa que pega trem todo dia; ouvir grandes histórias de trabalho, de faculdade e sentir a pontada saudosista de quem as conta; vai saber de começo e finais de relacionamentos, e do meio deles também. E vai sorrir a cada acerto; fazer piadas sem graça sábado de manhã prá quebrar o gelo; dançar na sala prá tirar o sono; tirar um sarrinho de todo mundo; criar amigos. E por fim chorar quando se der conta que outro alguém vai dividir isso com eles agora.

segunda-feira, junho 09, 2008

Luminoso

Ainda insistem em acreditar no luminoso escrito IDIOTA bem na minha testa. De fato, tem horas que ele inocentemente acende e eu sinto não só minha testa, mas como minha alma, informando que sou uma imbecil. Entretanto, é bem complicado subestimar a inteligência ou superestimar a idiotice de outrem. O luminoso tá lá piscando: IDIOTA; mas é sempre mais tolo aquele que crê cegamente nele. Afinal, ele pode estar aceso propositalmente, esperando a hora do curto-circuito.

Eu sei, só finjo que não percebo.

quinta-feira, junho 05, 2008

mais uma daquelas

" (...) fui deixado sozinho com meu desejo, chocantemente rude em minhas exigências: Me ame! E porque motivo? Porque eu te amo..."

" (...) Eu aprendi que os humanos se colocam numa relação de liberdade negativa com relação uns aos outros, mas certamente não são forçados a amar uns aos outros se não desejarem. (...) Não se pode culpar um amante por amar ou não amar, pois é uma questão além da sua escolha."


E então, quando amamos? Se amamos...
As complexidades do amor ainda me deixam com interrogações e talvez seja porque nunca vou entendê-las. O que acontece agora é que não sabemos mais o que esperar daquele a quem se ama. Os laços que são criados, não importa o tempo, estão sempre por um fio.
Por um dia cremos amar com toda a força e com todo amor que cabe em nós; aí o fio se rompe. Ou muitas vezes ele é rompido há tanto tempo, que demora para que sejamos atingidos pela conformidade e pela aceitação. O laço rompe e mais do que atitudes mexemos com o sentimento. Isto é, tanto faz se você, por um dia de fraqueza ( ou não), ficou com um terceiro, mentiu sobre algo. Talvez fazê-lo na completa sinceridade alivie sua consciência, mas não te torna menos filha da puta.

sábado, maio 17, 2008

Conclusiva

Pior do que o balde água fria é a goteira na testa.

Prontofalei.

domingo, maio 11, 2008

Dele as minhas

Faço as palavras de Rodrigo Amarante as minhas.


"Já vou, será
eu quero ver
o mundo
eu sei
não é esse lá
por onde andar
eu começo por onde a estrada vai
e nao culpo a cidade, o paivou lá, andar e o que eu vou ver
eu sei lá
não faz disso esse drama essa dor
é que a sorte é preciso tirar pra ter
perigo é eu me esconder em você
e quando eu vou voltar, quem vai saber
se alguem numa curva me convidar
eu vou lá
que andar é reconhecer
olhar
eu preciso andar
um caminho só
vou buscar alguém
que eu nem sei quem sou
Eu escrevo e te conto o que eu vi
e me mostro de lá pra você
guarde um sonho bom pra mim."

Quem sabe um dia eu chego lá...
O dom de se traduzir em palavras é fascinante prá mim.

quarta-feira, maio 07, 2008

Aham


Odeio pessoas em crise e acho que essa raiva toda deve ser porque não consigo fugir das minhas próprias crises.

Tem um certo momento em que entramos em contato com nossos próprios conflitos. Lógico, uma vez que esses conflitos são nossos, impossível não manter qualquer tipo de contato, mas chega uma hora em que estes são refletidos de forma que você possa ver, como um espelho, uma projeção; e ver a si mesmo é bem doloroso.

sexta-feira, maio 02, 2008

"Não sou a garota que vai dizer que te ama todos os dias. Não vou mandar mensagens melosas no celular e não vou ligar a cada meia hora só pra saber como você está. Também não vou fazer um perfil no orkut declarando todo meu amor nem vou te deixar depoimento a cada semana dizendo que te amo mais a cada dia. Sabe por quê? Não é gritando pulmões que demonstro o quão importante você é. Discordamos sempre, ficamos de cara feia e fazemos manha. Por você, supero a saudade, os quilômetros, a conta telefônica, e todos os pesares. Pelo seu sorriso apago o orgulho e reescrevo o amor, passando por cima de todas as diferenças. É complexo, é profundo, é verdadeiro e é duradouro. É você e eu, simples assim."


Uma digressão...

Descobri três coisas:
1) Não posso com bebidas destiladas.
2) Falo demais quando bêbada, preciso aprender a calar a boca.
3) Tenho que aprender a não me martirizar no dia seguinte.

quarta-feira, abril 30, 2008

aquela dificuldade.

Se eu tivesse que listar um dos meus defeitos com certeza o top da lista seria a falta de foco. E isso realmente me incomoda, mas nem me concentrar na minha falta de concentração eu consigo.
Eu queria, por um dia que fosse, aprender a fazer as coisas sem ser sob a pressão do desespero. Pois é, comigo só o desespero leva a produção.
Uma pessoa normal usaria essa uma semana de recesso prá colocar em dia as pendências da faculdade, terminaria o estágio, iria a algum congresso para as horas complementares, procuraria um exercício físico, acordaria cedo. Mas é claro que já se passaram dois dias e eu não fiz NADA disso.
Acho que eu antes de nascer passei pela fila do 'auto-boicote' várias vezes e então, antes de dormir, que é a hora que a consciência acorda, eu me martirizo e penso " Oh, céus porque eu sou assim?!". No fim não adianta p***a nenhuma porque quando eu acordo a consciência dorme e eu volto a dormir com ela.
Qual é meu problema, heim, heim?

terça-feira, abril 22, 2008

Salientando:

Vulnerável é MESMO o humor!
Sorte que eu não ando armada...

segunda-feira, abril 21, 2008

Nada não...

- Tá pensando no quê?
- Em nada não...



Como em nada? Essa é a mentira mais cabeluda e cara de pau que todo mundo solta. Ninguém não pensa em nada.

terça-feira, abril 15, 2008

Is this love? Oh, shit!


" Se a paixão acontece de forma tão rápida, é talvez porque o desejo de amar precedeu o amado - a necessidade inventou sua solução. O aparecimento do amado é apenas o segundo estágio de uma necessidade anterior de amar alguém (...) Sempre haverá o momento em que duvidaremos se nossos amados existem na realidade como os imaginamos em nossas mentes ou não são apenas uma alucinação que inventamos para impedir o inevitável colapso sem amor."

( Alain de Botton - Ensaios de amor)
E aí você pensa que aquela busca incansável pela sua completude pessoal acabou. Sim, porque é comum o vínculo entre vazio e não ser amado, e assim, somos constituídos da pura imperfeição por não ter alguém.
A contradição acontece, entretanto, quando a sua suposta metade brota do chão, assim como naquela história do jardim e das borboletas: você cuida direitinho do seu jardim, ele tá bonitinho, floridinho, você tá até feliz com ele mesmo sem borboletas, eis quando surge uma asa colorida no seu terreno. Oh, God! E agora? As opções estão entre você criar um bloqueio, se entregar loucamente e deixar fluir. Eu com minha vulnerabilidade fico com o último. O bloqueio existe e a luta com ele é quase tão homérica quanto a guerra de Tróia, mas fica internalizado ( o que pode não ser necessariamente bom). Ou seja, o medo existe sim, mais forte do que nunca mas ao mesmo tempo a vontade de arriscar torna-se maior.
O bicho de sete cabeças dessa coisa toda é isso que está escrito aí em cima. O que afinal vem a ser aquilo que a gente sente por outrem? Ou pior, o que vem a ser o que o outro sente por nós ( na verdade, é esse o problema).
Com o desenvolvimento de um ceticismo anti- amor- romântico a qual somos condicionados, independente das razões, e em contrapartida com a louca precisão da metade da laranja, fica cada vez mais difícil manter- se firme em um relacionamento.
Eu gosto, você gosta. Que bom! Mas porque? Seria devido à vontade de amar? É... estou sozinho, logo estou carente, apareceu uma bonitinha ou nem tão bonitinha assim, mas que tem interesses em comum, ouve boa música, compartilha do mesmo gosto literário e que está sozinha também. A gente beija, entrega nossos corpos sem entregar nossas almas e confia que é paixão após uns dias compartilhando o cotidiano. Amor ou necessidade de amar?
No fim das contas, é tão prosaico que daqui a pouco desenvolvem uma tese sobre a New-age of Love, ou Neo- Amor.
P.S.: Guardem paciência para breves reflexões amorosas, pois estou entrando em desvario com esse livro.

quinta-feira, abril 10, 2008

do avesso, do avesso, do avesso, do avesso...

Fique quieta, engula sapos, respire fundo, não responda, abstraia, releve, não surte, não grite, não faça show, não se importe, mostre-se adulta, seja cega, surda, muda desde que seja madura. Não se jogue, desconfie, dê passos prá trás, tenha medo do ótimo, pense muito, fuja do óbvio, finja que não percebe, tenha cartas na manga.

E assim a gente vai formando nossos calos. Estes que nos fazem tão duras que fica proibido viver.

segunda-feira, abril 07, 2008

Qualquer Um a Não Ser Você

Em uma parte do tempo você é amado e em todo resto é amigo.
O macaco atrás de você é a ultima moda
Eu não vejo qualquer um que possa ver, em outro qualquer
mas você.
Eu beijei sua cabeça na sombra de um trem
Eu beijei todo seu olhar brilhante,meu corpo está balançando de um lado para o outro.
Eu não vejo qualquer um que possa ver, em outro qualquer
mas você.
Aqui está a igreja e aqui está o campanario.
Nós certamente somos bonitos para duas pessoas feias.
Eu não vejo qualquer um que possa ver, em outro qualquer
mas você.
Os pedregulhos me perdoaram,as arvores me perdoaram
Então porque você não pode me perdoar?
Eu não vejo qualquer um que possa ver, em outro qualquer
mas você.
Eu vou achar meu não no seu carro
Com meu mp3 dvd rumple-packed guitar
Eu não vejo qualquer um que possa ver, em outro qualquer
mas você.
Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu du
Pra cima pra cima pra baixo pra baixo esquerda direita esquerda é um começo
Só porque nós colamos não significa que não somos espertos
Eu não vejo qualquer um que possa ver, em outro qualquer
mas você.
Você sempre está tentando tornar real
Eu estou apaixonado,como você se sente
Eu não vejo qualquer um que possa ver, em outro qualquer
mas você.
Nós dois temos felizes e brilhantes crises de raiva
Você quer mais fans, eu quero mais palco
Eu não vejo qualquer um que possa ver, em outro qualquer
mas você.
Dom quisote era um condutor de aço
Meu nome é adam e eu sou seu maior fan
Eu não vejo qualquer um que possa ver, em outro qualquer
mas você.
Levanto sua cabeça e faço uma dança
Você tirou uma sujeira para fora do botão da sua calça
Eu não vejo qualquer um que possa ver, em outro qualquer
mas você.
Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu du

by The moldy peaches - Anyone else but you - coloquei em português, mas quem quiser ouvir a música original aqui vai o link: http://www.youtube.com/watch?v=nBDbUVXXp-U


Pode parecer meio sem pé nem cabeça, mas faz todo sentido prá mim. É tipo um retrato novo de duas pessoas. Pessoas malucas, diga-se de passagem. Ainda bem!


... Alguém por favor me ensine a não esperar mais o balde de água fria?

terça-feira, abril 01, 2008

Afinal...

Afinal, há o medo de quê?

A cada novo passo dado dá prá sentir a cutucada da insegurança e aquele medo do ótimo e do superlativo. Será que não dá simplesmente para deixarem as coisas fluirem?!
Essa necessidade intensa de atenção chega a agir como algo nocivo e traz aquela fragilidade que é temerária. Quem gosta de se sentir frágil? Isso não existe. A luta de cada dia é para sermos duros e acreditarnos que não somos de vidro. Exercitar o desapego. Descolar do mundo, enfim.


Mas sempre têm algo que gruda...

quinta-feira, março 27, 2008

" Ah, minha amada dos olhos ateus" ( Vinicius de Moraes)


Dos olhos ateus nasce a minha crença
descrente de expectativas ( se é possível)
deixando os olhos de ressaca ou os de ternura
para eu- líricos encantados.
De olhos ateus cresce meu deslumbre,
neutro, puro, lento
tentado de olhares crédulos que colocam a prova o ceticismo desse meu rebento.

...Meu rebento que arrebenta em contradições, pois até a descrença é uma forma de crer.

quinta-feira, março 20, 2008

Abri a porta de ferro vagarosamente com algum receio de ser repreendida, logo vi uma senhora acenando para que eu entrasse e procurasse uma cadeira. Era uma sala cheia, tinha uns 40 deles. Procurei um lugar que estivesse vazio bem ao fundo para não ser notada ou atrapalhar. O assento, bem velho, quase se desfazendo me acomodou enquanto eu assistia ao espetáculo.
O cenário mudava, mas as cenas eram sempre as mesmas: 42 pessoas berrando durante 50 minutos. A porta de ferro batia e ninguém mais entrava ou saia sem permissão. Fechadura só pelo lado de dentro. Em cada pavimento havia uma grade com um grande cadeado que permanecia fechado, com a exceção de 20 minutos os quais todos desciam para o andar de baixo. Em qualquer hora a gritaria não parava, muito alvoroço, ansiedade, energia de sobra ou algum distúrbio de hiperatividade fazia com que não se calassem um segundo sequer.
A senhora pedia para que abrissem um jornal cheio de poemas e modelos de cartas com infinitas perguntas que ninguém sabia como responder. O discurso não mudou com a troca de sala. A defasagem foi a mesma com o mesmo conteúdo.
Precariedade e repressão...

Eu estava numa escola.

domingo, março 16, 2008

70's; 80's, 90's

Boys don't cry e

Girls just wanna have fun ...


agora, I'm dancing with myself

e I love rock n' roll, so put another dime in the jukebox, baby!

terça-feira, março 11, 2008

bad mood

Vulnerável é o humor, tão inconstante quanto todo o resto de mim.


Tem dia que foi feito prá gente não acordar. ( Ou é o efeito dos remédios....)

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Unknown

"Curioso isso!Sempre o que é desconhecido é interessante, uma vez que temos uma necessidade latente de sempre deixar as coisas claras. E porque tantata clareza? Quando o que realmente nos interessa é o desconhecido, portanto, podemos concluir que não saber é bom...rsQuando se sabe tudo só nos resta a morte, então continue não sabendo....kkk" Priscila.


E porque tanta clareza mesmo?! Passamos a vida nesse paradoxo entre o túnel e a luz, e assim quando finalmente chegamos ao clarão queremos voltar em direção ao lado escuro.
Gostamos do mistério, de não saber que o vai acontecer, o que outrém por ora pensa, o que fazer ano que vem ou no próximo segundo.
Seguimos a luz porque a dúvida sufoca, entretanto esclarecer se torna tão... chato.

sábado, fevereiro 23, 2008

Quase nada, amor.

De você sei quase nada.
Pra onde vai ou porque veio.
Nem mesmo sei qual é a parte da tua estrada no meu caminho.
Será um atalho? Ou um desvio? Um rio raso? Um passo em falso? Um prato fundo? Pra toda fome que há no mundo.
Noite alta que revele um passeio pela pele,
Dia claro madrugada... de nós dois não sei mais nada.
De você sei quase nada.
Pra onde vai ou porque veio. (...)
Se tudo passa, como se explica o amor que fica nessa parada?
Amor que chega sem dar aviso não é preciso saber mais nada.


Não sei quase nada e também não preciso falar mais nada. Tô ficando mole mesmo, viu?!

terça-feira, fevereiro 19, 2008

acaso.

Tem coisa que a gente quer e não pode.
Tem coisa que a gente pode e não quer.
Outras a gente pode e quer, mas não faz.
Tem aquelas que a gente não pode e não quer, então tanto faz.
Tem coisa que a gente queria não querer, mas quer.
tem coisas que a gente fecha o olho e faz, mas tem medo.

Tem coisas que a resistência aguenta, para todas as outras existe o ....

bom, deixa prá lá.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Uh oh!

As pessoas se arranjam e eu continuo uma zona.

domingo, janeiro 27, 2008

São Paulo, a cidade que nunca dorme
24.01.08 09:41 pm
Queixas à parte, profissionalização e padrões de qualidade sempre aprimorados faz resplandecer panorama otimista à variada noite paulistana.


por Caio Mendes.


Claro, se o transporte público nos desse condições de aproveitar o resplandecente panorama da noite de São Paulo.
Acho bem questionável uma cidade de 11 milhões de habitantes, com uma diversidade incrível de bons programas para se fazer durante a noite, oferecer transporte público até no máximo, vejam bem, no MÁXIMO a 1h da manhã.
Cinema na sessão da meia noite, esticar o boteco até mais tarde, baladinha, conversa na casa dos amigos ou qualquer outra coisa que você queira fazer no período noturno, corra porque você pode não ter como voltar prá casa. Se a balada tá miada, aí ferrou amigo! Ache um Mc Donalds 24h ou um posto de gasolina prá passar a noitada. Claro, você pode tentar pechinchar e convencer o motorista simpático a aceitar as suas poucas moedas prá te levar prá casa.
Há a opção também de sair com o espírito preparado prá virar a madruga na rua e esperar gentilmente e PACIENTEMENTE o ônibus passar as 4h30, 5h, 6h se for domingo. Mas cuidado: geralmente eles passam de hora em hora, passam três de uma vez ou a cada 5h horas, e seu saturday night sofre o acréscimo de mais algumas horas das calmas manhãs de domingo.
Não se afobe! Dizem que as manhãs de domingo são as horas mais proveitosas de toda a semana em São Paulo. Você pode apreciar a calmaria e a paisagem das janelas fechadas enquanto as pessoas dormem e você não.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

vício

Círculo. Bola. Bolha. Redondo. Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda pião e pára no mesmo lugar.
Certas coisas tem uma tendência tão grande à repetição, que quando estas acontecem de fato, a frase que vem à mente sempre é " não é possível que isso tá acontecendo de novo".
O curioso, é que por duas vezes foi diferente. Engana-se se você pensou no final! Nunca seria ( olha prá mim e logo procure o Murphy ao meu lado)! A diferença foi o pensamento.
Na primeira dessas duas vezes houve uma premeditação.Pára, pensa, a cabeça borbulha e no meio daquela fervura que pede uma solução rápida o corpo reage, e reage mal. "Sumir, sumir, sumir" são as primeiros ecos seguidos por " medo". Dois segundos e tudo muda, e ainda diante desse caos físico e psicológico desenvolvidos numa fração de segundos, o fim já está estampado e claro. O último pensamento foi " porque as pessoas gostam de fazer isso comigo?".
E prá finalizar a contradição de pensamentos viciosos, encrenquei-me de verde e amarelo. A essência é sempre a mesma, o fim nem se fala... mas a cabeça, a cabeça não. A consciência berrou diferente e eu não consegui ouvir.
Termino aqui com um questionamento, o qual eu sei que ninguém será capaz de responder já que minhas internas são tão internas quanto o meu pâncreas. Karma, sina ou falta de vergonha na cara?

quarta-feira, janeiro 23, 2008

"e então aconteceu:do fundo de meu coração,eu queria aquela rosa pra mim.eu queria,ah como eu queria.e não havia jeito de obtê-la.[...]no meio do meu silêncio e do silêncio da rosa,havia o meu desejo de possuí-la como coisa só minha.eu queria poder pegar nela.queria cheira-la até sentir a vista escura de tanto perfume..." [clarice lispector]


Era isso que eu queria escrever, mas ainda não sei.
Leio tanto e na minha leitura me pergunto se um dia saberei escrever. Mas não palavras soltas, quero escrever sentimentos, tão sutis quanto cetins. Ser ambígua e metafórica e mesmo assim totalmente clara. Expor qualquer caos mental sem atribuí-los diretamente a mim.
Eu pensei tanto antes de escrever, e rascunhei, rascunhei e apaguei. Escrevi de novo, apaguei e desisti. Por fim, achei minhas palavras nas letras de Lispector. Elas sempre são de alguém.

23/01/2008


Um passo atrás do outro e um tropeço. Dois passos e uma queda.

Quem se importa?

Cada um na sua. O momento é nosso, mas cada um é na sua. E fingir naturalidade diante disso é tarefa árdua, onde a face mostra um sentimento que é oposto ao que o estômago expõe.
Para aqueles que dizem que sou impulsiva, eu afirmo que estou no melhor momento do meu auto- controle. Vejam bem, disse auto-controle e não resistência.
A resistência continua cada vez mais baixa, o que pode gerar problemas incríveis. Em compensação o meu momento self-control surpreende-me a cada dia, mesmo que isso resulte num inferno de Dante em minha mente.
Sucintamente: tá no inferno, abraça o capeta, mas espere o momento certo prá enfiar o pé na jaca.


"I did, what I had to do, if there was a reason, it was you
don't even think about gettin' inside
Voices in me head...ooh, voices
I got scratches, all over my arms
One for each day, since I fell apart
I did...oh, what I had to do, if there was a reason,it was you
Footsteps in the hall, it was you, you...oh...Pictures on my chest, it was you, it was you..."
( Footsteps - Pearl Jam)

domingo, janeiro 20, 2008

Síndrome da uma semana.

Síndrome desenvolvida geralmente no pós- relacionamento ou pós- convivência ( de duas ou mais pessoas) por um determinado período, a qual há uma tentativa de aproximação por uma das partes. Tal tentativa possui geralmente a média de uma semana, após isso a substância non ducor duco ( vulgarmente conhecido como foda-se) do cérebro é ativada causando atitudes inesperadas por parte do indivíduo.



Fui clara?

terça-feira, janeiro 15, 2008

Lembrei que Glauber não é nome de jogador de futebol e sim de um grande diretor de cinema brasileiro. Paciência... é infeliz do mesmo jeito.
Mas mudemos prá Glédson e continuemos com a máfia futebolística de nomes.

Quem diabos se chamaria Westin?

Quem? Que mãe olharia prá cara de seu pequeno e lhe diria " Vai se chamar Westin"?
O fato é que ninguém se chama Westin, ou melhor, ninguém além de um jogador de futebol. Jogadores de futebol, aliás, tem o privilégio de estrearem nomes novos no mercado. Só pode ser daí que outro alguém se chame Westin, seria uma espécie de homenagem ao grande ídolo iniciando assim, a máfia dos nomes infelizes no mundo.
Qual é o problema com o João ou Antônio?! Até Severino ( com MUITÍSSIMO respeito aos Severinos) é mais entendível e aceitável que Westin ou Glauber ou... Richarlyson!
Devia existir um movimento dos cartórios em prol da brazilidade ou até simplicidade de nomes.


Tudo isso foi prá distrair minha cabeça e meu estômago, porque ambos estão fritando tanto, e definitivamente já foi a hora de fazer algo.

terça-feira, janeiro 08, 2008

" Numa moldura clara e medíocre sou aquilo que se vê".

Não, eu não tenho nada a que eu me dedique freneticamente. Meu quadro de habilidades está vazio por opção minha, dos outros ou pela simples falta de existência ( persistência).
Comecei com a natação. Parei aos 11 anos sabe deus porquê. Talvez seja pela vidinha nômade que eu levei durante longos anos. Fiz pintura aos dez. Pergunto-me até hoje quem diabos colocou aquela idéia na minha cabeça! Adoro artes visuais, mas fazê-las está longe da minha capacidade. Se bem que o quadro não ficou tão tenebroso assim, uma vez que não fui eu quem o desenhou. Além de péssima pintora eu fui fraudolenta! Depois de alguns anos no ócio fui parar nas artes marciais que ainda são minha paixões. Pratiquei Aiki-do, full-contact, jiu-jitsu e parei no judô por um tempão. Até quebrar a clavícula! Quem sabe eu volte...
Eu costumava correr com meu pai pela madrugada. Fiz teclado, Kumon para ver se meu raciocínio matemático saia do estado de inércia, mas não pega nem no tranco.
Hoje não pinto, não luto, não corro, não nado, não jogo. Toco um violãozinho meia boca.
O que eu realmente gosto de fazer é ler. Mas não acredito que eu me dedique tanto a isso quanto a prática de um hobby requer. O mundo é tão vasto dentro de livros, e eu sinto que ainda não sai de um principado.




Nem o simples é tão detestável quanto o medíocre.
- Qual é o seu hobby? - perguntam-me.
- Meu hobby? - devolvo. - Hmmm, não sei.
- Como não sabe? Hobby é uma atividade a qual você se dedica sem fins lucrativos...
- Eu sei o que é hobby, só não sei qual é o meu. Qual é o seu?
- Guitarra.

(...)

- Estou pensando ainda sobre meu hobby. Acho que não me dedico a nada.

domingo, dezembro 23, 2007

Ó Sr. das viradas de ano,

Deixo aqui a lista de promessas que com certeza não serão cumpridas:


Eu prometo parar de pensar muito em mim;
Prometo parar de pensar nos outros também. Os pensamentos tem que ir bem além de nós.
Prometo não ficar sem dormir e prometo também não dormir mais que 14h quando conseguir fazê-lo.
Prometo praticar a política da boa vizinhança;
Prometo tentar falar melhor da faculdade e não faltar tanto às quartas-feiras.
Prometo tomar menos paracetamol, menos coca-cola; ingerir menos chocolate e fumaça. Só não falo nada da cerveja porque mesmo que estas promessas não sejam cumpridas, não poderia colocar aqui uma incumprível.
Prometo fazer dieta os 365 dias do ano ( lê-se comer melhor e não parar de comer).
Prometo ler todos os clássicos do mundo e assistir todos os filmes do Godart.
Prometo também tentar gostar mais de linguística.
Prometo deixar de fazer coisas medíocres por preguiça ou falta de saco.
Prometo também estudar arte, criticar menos os extremistas políticos, falar menos mal da cidade e do mundo.
Prometo não me irritar quando encontrar pessoas que gostem de Paulo Coelho, Zíbia Gasparetto e Dan Brown mas não conseguem ler Machado de Assis por não ser acessível ( AHHHHHHHHHHHHHH!).
Prometo sair menos de sábado e arrumar mais vezes o meu quarto ( pelo menos a cama).
Prometo não chegar mais que uma hora atrasada nas aulas.
Prometo ler o caderno de economia, inclusive os índices de valores. Prometo ler até os classificados.
Prometo ir mais ao cinema e ao teatro ( essa eu QUERO cumprir, mesmo!).
Prometo comprar um livro por mês, mas não estourar meu cartão de crédito com isso.
Prometo ir e voltar a pé da facul, diminuir meu estresse de cada dia com o Hospital das Clínicas e o peso também.

Assim, deixos essas promessas que serão quebradas talvez quando fevereiro chegar ou quem sabe, na própria virada do ano onde minha única promessa é enfiar o pé na jaca de uma vez.

domingo, dezembro 16, 2007

Oh shit.

É bastante discutido e bem discutível a capacidade crítica das pessoas sem antes olhar pro próprio-umbigo. O pior disso tudo é que eu ainda caio nessas. Consideração prá lá, o que pensarão aqui, não merece isso dali, não precisa disso acolá até tomar um balde de água fria na cabeça.
Sinceridade e hipocrisia brigando feito cães; e claro, aquele famoso IDIOTA estampado na minha testa.
Agora eu posso dormir tranquila porque sei que não importa o que você faça, farão pior com você. É só uma pena morrer sufocado com a própria carapuça. Já dizia meu pai: "é bom prá ficar esperta".

Bye bye insomnia!

sábado, dezembro 15, 2007

Já foi!

Eu insisto tanto em me arrepender das coisas que eu disse, ainda que só prá mim. A frase fica ecoando na minha cabeça como um mantra e quando eu acho que esqueci, pronto! Eu lembro...
Ô culpinha companheira que faz com que eu me sinta injusta. Mas eu JURO que não foi por mal.

domingo, dezembro 09, 2007

Os dias no calendário vão expirando tão rápido que não vejo. Quando vi, acabou. E continuo na esperança de que seja assim durante mais duas semanas, as quais trarão o alívio do fim das atividades acadêmicas mas o prolongamento das contratuais. Quero piscar e ver acabar.

Os dias do fim do ano são nostálgicos e famintos.

" queixo-me as rosas
mas que bobagem, as rosas não falam
simplesmente as rosas exalam
o perfume que roubam de ti"


É tão estranho...