quarta-feira, julho 25, 2007

Daydreaming

Análisar é praxe. É um procedimento obrigatório que tem como fim brecar a compulsão. Necessário ou obrigatório, não é eficaz ( não prá mim).

Limpando os óculos

Não era de uma beleza excepcional. Não estonteava, nem ao menos seguia padrões.
Não facilitava com as primeiras impressões, apesar de ser flexível, era extremista nessa questão: gostavam ou detestavam. Normalmente um convívio necessário mostra o contrário do pré-conceito. É necessário transpor o véu vagarosamente e ir reparando em minuciosos detalhes com delicadeza. É como ir descobrindo algo que está debaixo de panos há muito tempo. Ou como uma surpresa.
Conseguia mostrar o que está por dentro, se doava por completo. Se jogava em abraços, e quando não, passava a intensidade do mesmo num simples toque de mão. Deixava-se se levar por situações, mas tinha a capacidade de criá-las com uma sutileza indefinível. Deixava clara sua dificuldade em tomar decisões e não importava em se expor em busca de uma identificação. Limitava-se. Desistia. Dom da retórica utilizado só em situações extremas, com avaliação rigorosa. Dom da escrita também. Mostrava-se muito mas não enxergava. Imaginava-se sempre menos. Destestava expectativas... mas criava mesmo sem querer.
Devia ter algo como trastorno bipolar. Algo incomodava à noite... soprava aos seus ouvidos perturbando seu sono. Tinha o desejo de conseguir controlar o que guardar na memória. Utópica.
Envolvida...
Era interessante, bons papos no seu conteúdo. Livros e música como paixões.

Algo que contrariava a lei da "primeira vista"

quarta-feira, julho 18, 2007

Pense:


Check-in às 15h30, dá tempo para um café... quem sabe até uma olhada na livraria. Comprar o jornal, não deu tempo de fazer isso antes. Livrarias são difíceis porque sempre dá vontade de levar algo. Na volta compro, aeroportos são muito caros.
40 minutos de atraso. Nada fora do comum para uma crise aérea. Podia ser pior.
Odeio sentar na janela. Me dá náusea. Comer amendoins distrai. Pouco tempo de vôo, nada de escalas. Ainda bem... Não gosto de muitos pousos e decolagens.
Chegando... dá prá ver o transito caótico. Não vai parar...

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Amanhã todos estarão falando da mesma coisa, mas isso não modifica em nada. Todo mundo vai parar de mastigar, pensar que grande tragédia foi, e continuar seu jantar pensando nas medalhas do Pan. Menos 180 famílias...

sexta-feira, julho 13, 2007

futilidade interna

Uma foto me incomoda, mas não consigo fazer nada: tenho dificuldades em me desprender do passado.

Passado que me deixa passada vendo a facilidade de alguns em deixar passar.-Opa, passou já-. E eu deixo o passado passando trinta e duas mil e trezentas e oitenta vezes na minha cabeça.

quarta-feira, julho 11, 2007

Lembro da minha consciência sussurando:

" Não responda! Concorde porque ele está certo. Você sabe que está. Seja pacífica, compreensiva, reconheça seus erros. Não relute. Você é adulta! Nada de infantilidades. Quem mandou abrir a boca? Agora aguenta... "

- Blá, blá, blá,blá - de outro.

Minha consciência:

" Não adianta agora. Respira e concorda! Mantenha os olhos nos olhos. Não tente fazê-lo entender, é em vão. Mostre sua maturidade. Não diga nada além... você já disse, olha só no que deu. Respeite. Já foi... "

- Eu entendo. - digo.


Consciência:

" Pronto. Está acabando. Não leve como uma tortura. Você é uma pessoa inteligente, sabe que não pode agir feito louca. Já agiu uma vez, não deu certo. Mantenha a postura. Agora você não tem desculpas. Mostre que você não quer nada do ele diz. Seja sutil."


Eu prá consciência:


- E daí?

quinta-feira, julho 05, 2007

Mente sem lembranças?

" You can erase someone from you mind. Getting them out of your heart is another story"
( By Eternal Sunshine of the Spotless mind )




Minha memória insiste em me incomodar. De mansinho ela vai me cutucando, principalmente durante a noite, naquele momento exclusivo onde o sono é esperado, com a cabeça no travesseiro, no escuro... Pequenas lembranças me balançam, sopram aos meu ouvidos, me mantém acordada. Pequenos momentos e grandes pessoas voltam trazendo a vontade de viver tudo aquilo de novo.

A gente devia escolher o que guardar na memória...

terça-feira, julho 03, 2007

Aí sim

Novas experiências deve ser contadas com tempo de gaveta. Quando a história está empoeirada, com cheiro de velha. Não há maturidade em dizer nada agora. As coisas estão mudando rápido demais, não há base nem concretude necessária para contar algo.
A gente só enxerga as respostas quando atravessa o dilema. Aí sim, é hora de contar...

terça-feira, junho 26, 2007

...


Sempre com dificuldades em encarar mudanças. Vai ser melhor, eu sei. Eu que decidi, ué. Indiscutível que vai ser melhor! Além de ser o que eu realmente quero prá mim.

Mas nada muda o fato de eu ser uma chorona com medo, com saudades antecipadas, com a falta. Difícil largar. Triste deixar tudo que eu construí ali, embora sejam firmes laços e eternos.


Fui sem olhar prá trás. Novos caminhos me esperam.


Sigo ainda com Drummond:


Ausência


Por muito tempo achei que ausência é falta
E lastimava, ignorante, a falta..
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
Ausência é um estar em mim.
E sinto-a tão pegada, aconchegada nos meus braços
Que rio e danço e invento exclamações alegres.
Porque a ausência, esta ausência assimilada,
Ninguém a rouba mais de mim.


(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, junho 17, 2007

I don't care, I have no luck

Cansei de me culpar pelas coisas que dão errado. Os fatores são vários, me incluem, mas não me tornam exclusiva. Faço cagadas, sim. Posso me esforçar para que elas não aconteçam. Mas isso não me livra da possibilidade do Murphy continuar do meu lado e nem em garante que tudo será como nos contos de Grimm. Enfim, ninguém vai esperar que eu resolva as minhas pendências com a vida...
Como diz um grande letrado: " Cansei de esperar as coisas da vida, agora a vida que me espere."

domingo, junho 10, 2007



" Saber desistir. Abandonar ou não abandonar- esta é muitas vezes a questão para um jogador. A arte de abandonar não é ensinada a ninguém. E está longe de ser rar a situação angustiosa em que devo decidir se há algum sentido em prosseguir jogando. "

( Clarice Lispector- Um sopro de vida)

Essa coisa de desitir é complicado. Principalmente quando se é jogador de muitas partidas. Afinal, devemos desistir do quê?

As coisas ficam mais difíceis quando misturamos tudo numa coisa só. Não existe mais equilíbrio emocional. Tudo está na beira do abismo.Em se tratando de desistir, quase não há flexibilidade: ou desiste de uma vez, ou não desiste nunca.

A gente arrisca. Quebra a cara. Arrisca de novo. Por vezes acertamos, na maioria delas não. Faz parte do jogo, faz parte da vida. O pior disso tudo é lidar com o arrependimento. Tem gente que sabe, tem gente que não sabe fica se martirizando. Tudo é uma questão de ligar o foda-se e pensar no lado menos pior, caso não haja um bom ( o que eu acho praticamente impossível). No fim das contas, tudo é válido.

Devemos só tentar não nos perdermos de vista, porque somos vários caminhos num só. Inclusive o fatal beco sem saída.

sábado, maio 26, 2007

Moscas

Em uma discussão filosófica de boteco soltaram a teoria a qual comparado ao universo nós temos uma vida de mosca. Já tinha ouvido falar disso em física, achei interessante mas eu como eu detesto física, embora seja muitíssimo interessante, deixei prá lá.
Nós temos mesmo uma vida de mosca. Somos simples borboletas com tempo limite de vida de 24h perante o infinito dos cosmos. Então, peguemos nosso copo e bebamos cada gota da nossa vida de mosca. Prá que se preocupar?


Sim, estou levemente árcade hoje.

sábado, maio 12, 2007

Preciso de uma boa música prá começar a escrever. Já pensei mil maneiras de começar um post, tantas coisas tenho prá falar, embora algumas delas necessitem do silêncio apenas. Certas coisas não se falam. É exatamente aí que se encontra a dificuldade. Porque é tão difícil calar? Falo buscando luz, mesmo gostando tanto da escuridão. Quero as coisas claras! To vendo que é impossível... Quanto mais procuro a luz no fim do túnel mais me enfio num buraco fundo. Não sei se quero sair. É muito contraditório pensar nisso... Estar em crise, criando expectativas, não saber de nada e querer ficar assim.
Boa música...
Outro dia tava olhando os velhos escritos e pensei "puta merda, só escrevo nos momentos de crise" e é verdade. Preciso aprender que algumas coisas se calam. Aprender que o silêncio, ás vezes, falam mais que mil palavras e que pequenas palavras que dizem muito prá você são insignificantes prá outrem. E vice e versa. ( sempre com a teoria do "ou não" na cabeça... não aprendo...). E que por mais que você não entenda, algumas coisas são como são... Não vou mudar ninguém, não vou conhecer ninguém completamente,por ora é necessário acostumar-se com o superficial. Como sempre, tenho medo.
Boa música...

quinta-feira, abril 26, 2007

Chatterton, suicidou
Kurt Cobain, suicidou
Vargas, suicidou
Nietzsche, enloqueceu
E eu, não vou nada bem
Chatterton, suicidou
Cléopatra, suicidou
Sócrates, suicidou
Goya, enloqueceu
E eu, não vou nada nada bem
Chatterton, suicidou
Marc-Antoine, suicidou
Van Gogh, suicidou
Schumann, enloqueceu
E eu, não vou nada nada bem


bem coloquialmente ao estilo Alê :

maaaaaaaano, e agora?

sábado, abril 21, 2007

.afinidade.

Afinidade acontece. Um mesmo signo, um mesmo par de sapatos caramelo, um mesmo livro de cabeceira. Afinidade acontece entre seres humanos. A mesma frase dita ao mesmo tempo, o diálogo mudo dos olhares e a certeza das semelhanças entre o que se canta e o que se escreve. Afinação acontece. Um mesmo acorde, um mesmo som, uma mesma harmonia. Afinação acontece entre instrumentos musicais. A mesma nota repetidas vezes, a busca pela perfeição sonora e a certeza das similaridades entre um tom acima e um tom abaixo. A incrível mágica acontece quando os instrumentos musicais descobrem afinidades humanas entre si no mesmo instante em que os seres humanos descobrem afinações musicais dentro deles mesmos.


Acontece.....

domingo, abril 15, 2007

Murphy, meu amor!


O Murphy chegou e ficou. Casou comigo. Tá sentado no meu colo, brincando de cavalinho!
Não dá mais pensar o que pode dar errado.
Entretando, contrariando a lei de Murphy, vi o lado dos males o menor, e bem menor foi! Eu tenho um irmão que nasceu numa noite conturbada de correria, metrô com usuário na jogado na via, táxi pechinchado e uma festa que não aconteceu.
Meu irmão já buscou estrelas...

sábado, março 31, 2007

As coisas andam me despertando a ânsia. Num é só uma coisa outra, tudo me dá enjôo. A cada dia que passa carrego o peso de querer coisas demais e fazer coisas de menos. Consequências de escolhas! Sim, eu sei.

As coisas na faculdade me causam vertigem, estonteiam, angustiam. Amo aquele lugar e todas as pessoas que me cercam, mas a angústia que eu sinto por cada atitude minha é maior que todo território mackenzista. Aquela coisa 'enjoy your life', 'carpe diem' e ' foda-se' é real, mas num sei se cabe em mim agora. Aí aquela velha história de não saber o que fazer ( isso sim tá batido!). Tudo que você adotou como filosofia de vida está indo por água abaixo. Você quer sair, não pode. Você quer ficar, não sabe dizer não. Cadê a porra do foda-se agora?

Essa coisa de trabalhar e estudar mexe com seus neurônios animalmente. Chega a ser rídiculo perceber os dias passando só quando a segunda-feira chega novamente. Quando eu era pequena eu lembro que o tempo demorava mais, eu chegava a contar quantos dias faltavam pro fim de semana. Eu vou investigar quem apertou o "forward" do tempo e desenvolver uma tese sobre isso, porque eu tenho certeza que esse botão existe e alguém o desregulou. Enfim, cada dia de serviço aprimora mais a relação de amor e ódio que tenho dali. É nítida a falta de humanidade que impera ali: um fazendo lavagem cerebral no outro, bisbilhotação de vida e produção. Fofoca. Me sinto o Chaplin em "tempos modernos". Entretanto, mesmo não estando na minha área, a usf me deu presentes como meus companheiros de trabalho e alguns alunos que farão extrema falta quando sair de lá. Carrego um peso também, novamente uma angústia e pontadas no estômago, sentimentos que me perseguem, culpa.

Como boa geminiana estou num período oscilante de humor, conseguindo fazer um misto de tristeza, alegria, raiva, desespero, alívio. Me sinto desesperada e perdida, mas deve ser característica astral colocar certas coisas em segundo plano, acreditar em outras coisas como se algumas não existissem. Algum tipo de dissimulação. Vou levando, tranquila e desesperadamente. Paradoxo, assim como eu sou mesmo. Fazer o quê...

sábado, março 17, 2007


Uma sessão nostalgia hoje.
Fuçando no orkut, comecei a ver o perfil de pessoas que fizeram parte da minha vida em alguma época, todas especiais. Me bateu uma saudade absurda! Primeiro da época da escola, em que eu chegava atrasada, cabulava aula no tatame, ficava na escada conversando, escorregava pelo corrimão ( e tinha o maior orgulho disso), onde achava que meus amigos eram pra vida inteira e que ninguém ia mudar nunca: paralisariamos no tempo e permaneceriamos daquele jeito prá sempre! Gostando apenas de um tipo de som, pintando as unhas e olhos de preto, querendo mais do que nunca ser diferente. Construí meus mais grandiosos conceitos na escola. Conheci pessoas que perto ou não, são parte da minha vida.
A escola um dia acaba... e o chão desaba junto. Faculdade, cursinho?? Etapa! Fui parar do lado de pessoas que combinam perfeitamente comigo. Brinco que foi um ano de putaria. Puro amadurecimento. Vi as coisas acontecerem na hora certa... mas como tenho saudades de lá, de tudo que vivi, que aprendi.
Agora a faculdade.. sei que vou sentir saudades também. Faço questão que todos que são meus companheiros de letras estejam comigo sempre. Quanta coisa boa me trazem!
Mas mais saudade eu sinto do meu avô. É um sentimento inexplicável esse. Tanto tempo se passou e meus olhos se enchem d'água quando penso nele. Eu tenho tanto prá falar com ele, tanto prá mostrar... é uma falta incrível.
Enfim... falar de saudades é complexo. Terminar de falar é pior. É o obvio ululante que tudo mais que eu viva e que passe venha a ser saudade. Sentir saudade por mais dificil que pareça ser, se torna uma parte fácil diante de manter aquilo e aqueles de quem gostamos.
Uma pro meu vô:
O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente"
Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
enchendo a minha alma d'aquilo que outrora eu deixei de acreditar
tua palavra, tua história
tua verdade fazendo escola
e tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
metade de mim agora é assim
de um lado a poesia, o verbo, a saudade
do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
e o fim é belo incerto... depende de como você vê
o novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
E Hoje tem Teatro! Adooooro! =D

terça-feira, março 06, 2007

Bichodesetecabeças, bichodesetecabeças

Não dá pé não tem pé nem cabeça
não tem ninguém que mereça
não tem coração que esqueça
não tem jeito mesmo
não tem dó no peito
não tem nem talvez defeito
que você me fez desapareça
cresça e desapareça
Não tem dó no peito
não tem jeito
não tem ninguém que mereça
não tem coração que esqueça
não tem pé não tem cabeça
não dá pé não é direito
não foi nada, eu não fiz nada disso
e você fez um bicho de sete cabeças

Não dá pé não tem pé nem cabeça
não tem ninguém que mereça
não tem coração que esqueça (não tem ninguém quemereça)
não tem jeito mesmo (não tem pé não tem cabeça)
não tem dó no peito (não dá pé não é direito)
não tem nem talvez defeito (não foi nada)
que você me fez desapareça (eu não fiz nada disso e)
cresça e desapareça (você fez um)
Bicho de sete cabeças, bicho de sete cabeças
Bicho de sete cabeças


Não muito adepta de postar músicas em blog. Uma vez me disseram que era clichê e eu como sempre tentando fugir dos clichês, simplesmente porque eles cansam. Mas essa música mexeu com meus hormônios. Até romantizando um pouco, "me tocou profundamente".
Estou com sensibilidade a flor da pele, com medo, com vontade de fugir. Fuga, fuga, fuga. Choro: a maior fuga.
Já dizia o Wander Wildner " tem dia que de noite é foda"... e quando todas as noites se tornarem foda?

Sei lá... não dá pé num tem pé nem cabeça

domingo, março 04, 2007

putaquepariu

Estranho como não consigo pensar em nada útil esses dias. Já ensaiei aqui trinta e dois posts, e não sai nada. Acho que é fase e o Pero Vaz de Caminha consumindo meu cérebro.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

é ou não é. 8 ou 80. dá ou desce. caga ou sai da moita. está ou não está.

Uma legitima "meio-termista" completamente flexível sendo sugada por extremos. Seria esse o fim da paciência?