Aquela mistura: correr riscos, ter cautela, muito sonho, cotidiano. Presença e... um pouquinho de ausência. Um pouquinho assim ó: V-A-S-T-O. Junto o risco, a cautela, o sonho, o cotidiano, a presença, o pouquinho de ausência com meus planos, meu passado, meu presente, um copo d' água.
Deito na cama. Abro um livro e procuro Clarice. Café quente na caneca, um tanto de auto-crítica, música e o fechar dos olhos. Sarcamos apimentados e deslizes doces me faltam. Um pouco de todas coisas se calam ou dançam em mim. Assim: confuso, esquisito, desconexo. largo, escuro. Reflexo.
Dentro é denso, um caldo. Meu recheio assim, receoso de provar.
quinta-feira, junho 25, 2009
sábado, maio 23, 2009
go on.
Você me chama
Eu quero ir pr'o cinema
Você reclama
Meu coração não contenta
Você me ama
Mas de repente
A madrugada mudou
E certamente
Aquele trem já passou
Se passou, passou
Daqui prá melhor
Foi!...
Só quero saber
Do que pode dá certo
Não tenho tempo a perder
Só quero saber
Do que pode dá certo
Não tenho tempo a perder...
-"Não é o meu país
É uma sombra que pende
Concreta
Do meu nariz em linha reta
Não é minha cidade
É um sistema que invento
Me transforma
E que acrescento
À minha idade
Nem é o nosso amor
É a memória que suja
A história que enferruja
O que passou
Não é você
Nem sou mais eu
Adeus meu bem
Adeus! Adeus!
Você mudou, mudei também
Adeus amor! Adeus!E vem!"
Eu quero ir pr'o cinema
Você reclama
Meu coração não contenta
Você me ama
Mas de repente
A madrugada mudou
E certamente
Aquele trem já passou
Se passou, passou
Daqui prá melhor
Foi!...
Só quero saber
Do que pode dá certo
Não tenho tempo a perder
Só quero saber
Do que pode dá certo
Não tenho tempo a perder...
-"Não é o meu país
É uma sombra que pende
Concreta
Do meu nariz em linha reta
Não é minha cidade
É um sistema que invento
Me transforma
E que acrescento
À minha idade
Nem é o nosso amor
É a memória que suja
A história que enferruja
O que passou
Não é você
Nem sou mais eu
Adeus meu bem
Adeus! Adeus!
Você mudou, mudei também
Adeus amor! Adeus!E vem!"
domingo, maio 10, 2009
Deitada sob luz clara, levemente enrolada sob um edredom estampado, surpreendo-me tocando a ponta dos dedos, um de cada vez, num pedacinho da coberta. Como se tocasse piano ou batesse dedo a dedo na madeira de uma mesa, apalpar o edredon me trouxe uma sensação nostálgica da infância.
Me lembro de pequena ter tido um pequeno travesseiro com o qual eu dormia fazendo o mesmo movimento com os dedos todas as noite. Um dia o travesseirinho foi embora e eu continuei minha mania com o edredom. E até hoje ela permanece viva, ao acordar, antes de dormir, no ócio, o edredom traz um momentinho de autoprazer.
E você, qual sua mania de criança trazida para o mundo adulto?
Me lembro de pequena ter tido um pequeno travesseiro com o qual eu dormia fazendo o mesmo movimento com os dedos todas as noite. Um dia o travesseirinho foi embora e eu continuei minha mania com o edredom. E até hoje ela permanece viva, ao acordar, antes de dormir, no ócio, o edredom traz um momentinho de autoprazer.
E você, qual sua mania de criança trazida para o mundo adulto?
quarta-feira, maio 06, 2009
terça-feira, abril 14, 2009
sonetos - VI
Em mim também, que descuidado vistes,
Encantado e aumentando o próprio encanto,
Tereis notado que outras cousas canto
Muito diversas das que outrora ouvistes.
Mas amastes, sem dúvida ...Portanto,
Meditai nas tristezas que sentistes:
Que eu, por mim, não conheço cousas tristes,
Que mais aflijam, que torturem tanto.
Quem ama inventa as penas em que vive;
E, em lugar de acalmar as penas, antes
Busca novo pesar com que as avive.
Pois sabei que é por isso que assim ando:
Que é dos loucos e somente dos amantes
Na maior alegria andar chorando.
Olavo Bilac
Achei sem querer algo que conseguisse dizer muito mais que as minhas palavras.
Encantado e aumentando o próprio encanto,
Tereis notado que outras cousas canto
Muito diversas das que outrora ouvistes.
Mas amastes, sem dúvida ...Portanto,
Meditai nas tristezas que sentistes:
Que eu, por mim, não conheço cousas tristes,
Que mais aflijam, que torturem tanto.
Quem ama inventa as penas em que vive;
E, em lugar de acalmar as penas, antes
Busca novo pesar com que as avive.
Pois sabei que é por isso que assim ando:
Que é dos loucos e somente dos amantes
Na maior alegria andar chorando.
Olavo Bilac
Achei sem querer algo que conseguisse dizer muito mais que as minhas palavras.
past perfect
É surpreendente ver o passado bem na sua cara. É assustador ver a imagem, de algo que passou ou que ainda passa, te medindo e decifrando. E ver você medindo e decifrando tanto quanto ela.
São assustadoras as ações e suas respostas.
É um nó que ninguém arranca da garganta. É a lágrima que não escorre. É a palavra que não sai.
É uma mentira sussurrada, uma presença que incomoda.
É a foto de um corpo curvado diante de um violão e os olhos fechados para cegar algo que já não existe mais.
Em mim... as mãos atadas.
São assustadoras as ações e suas respostas.
É um nó que ninguém arranca da garganta. É a lágrima que não escorre. É a palavra que não sai.
É uma mentira sussurrada, uma presença que incomoda.
É a foto de um corpo curvado diante de um violão e os olhos fechados para cegar algo que já não existe mais.
Em mim... as mãos atadas.
quarta-feira, abril 01, 2009
detalhes:
"É preciso entrar em relacionamentos com igualdade entre ambos os lado, tanto um quanto outro prontos para dar - não com uma pessoa querendo uma trepada rápida e a outra desejando amor de verdade. Eu acho que é daí que vem toda a agonia, que existe um desequilíbrio, pois as pessoas não tem certeza suficiente de si mesmas ou do que querem da vida ou de qualquer coisa."
Ensaios de amor- Alain de Botton.
O suficiente é para quem não ama. No amor só existem infinitos.
Ensaios de amor- Alain de Botton.
O suficiente é para quem não ama. No amor só existem infinitos.
segunda-feira, março 30, 2009
A dor me pegou por trás e me puxou os cabelos. Forte, como era usual do amor. A dor tá me comendo olhando nos meu olhos, me cobrindo de mordidas e lambidas, como o amor. A dor sussurrou palavras ao pé do meu ouvido e me fez estremecer, mas não de amor.
Uma lágrima escorreu dos meu olhos, mas não foi aquela a qual o prazer do amor exprime. Dos meu olhos escorreram a própria dor.
O que eu choro é água com sal.
Uma lágrima escorreu dos meu olhos, mas não foi aquela a qual o prazer do amor exprime. Dos meu olhos escorreram a própria dor.
O que eu choro é água com sal.
domingo, março 29, 2009
coisas de uma fanfarrona estúpida.
Eu sempre insisti sobre querer apagar as coisas da memória. Sim, deveria ser uma escolha. Querer ou não, simples assim. Porém, a única e fatal falha que eu consigo perceber ( e essa por incrível que pareça não me inclui) é tentarem apagar vestígios de algo consumado.
Os fatos e pensamentos constituem o que você é hoje, independente do seu gosto. Arrepender-se ou vingar-se não remediarão o gosto amargo da sua boca. Tentar apagar pode trazer alívio aos olhos, mas forma feridas tristes e profundas. E o pior disso: elas cicatrizam.
Os fatos e pensamentos constituem o que você é hoje, independente do seu gosto. Arrepender-se ou vingar-se não remediarão o gosto amargo da sua boca. Tentar apagar pode trazer alívio aos olhos, mas forma feridas tristes e profundas. E o pior disso: elas cicatrizam.
terça-feira, março 17, 2009
mais uma constatação (in)feliz.
Eu não sei ficar sozinha, mesmo que as condições passageiras, tipo, de uma semana, me levem à isso. Então, resolvi dar festas todos os dias!
Se não é a dois, tem que ser a dez...
Se não é a dois, tem que ser a dez...
quinta-feira, março 12, 2009
Ai, que saudade d'oce!

Não se admire se um dia
Um beija-flor invadir
A porta de sua casa
Te der um beijo e partir
Fui eu que mandei o beijo
Pra matar meu desejo
Faz tempo que não te vejo
Ai, que saudades d'ocê
Se um dia você se lembra
Escreva uma carta pra mim
Bote logo correio
Com frase dizendo assim
Faz tempo que não te vejo
Quero matar meu desejo
Te mando um monte de beijo
Ai, que saudades sem fim
E se quiser recordar
Aquele nosso namoro
Quando ia viajar
Oce cai no choro
E eu chorando pela estrada
Mais o que eu posso fazer
Trabalhar é mina sina
Eu gosto mesmo é d´ocê
Um beija-flor invadir
A porta de sua casa
Te der um beijo e partir
Fui eu que mandei o beijo
Pra matar meu desejo
Faz tempo que não te vejo
Ai, que saudades d'ocê
Se um dia você se lembra
Escreva uma carta pra mim
Bote logo correio
Com frase dizendo assim
Faz tempo que não te vejo
Quero matar meu desejo
Te mando um monte de beijo
Ai, que saudades sem fim
E se quiser recordar
Aquele nosso namoro
Quando ia viajar
Oce cai no choro
E eu chorando pela estrada
Mais o que eu posso fazer
Trabalhar é mina sina
Eu gosto mesmo é d´ocê
segunda-feira, março 09, 2009
a voz presente, a voz ausente.
Há um ano atrás meu telefone tocava todo dia. Pontualmente no horário de almoço.
A voz do outro lado trazia a calma a qual a ansiedade havia devorado.
Essa mesma voz trazia cores, sabores e cheiros proporcionando a fantasia da ligação. Eram tantas experiências descritas que minha reação ficava limitada a surpresa ( mesmo que fosse esperada) e a alegria de poder ouvir.
Hoje, meu telefone não toca mais.
A voz do outro lado trazia a calma a qual a ansiedade havia devorado.
Essa mesma voz trazia cores, sabores e cheiros proporcionando a fantasia da ligação. Eram tantas experiências descritas que minha reação ficava limitada a surpresa ( mesmo que fosse esperada) e a alegria de poder ouvir.
Hoje, meu telefone não toca mais.
terça-feira, março 03, 2009
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
Quero que cessem as exigências àquele a quem entreguei minha confiança.
Não quero parar de exigir apenas porque amo e porque no amor está o que cega e o que ensurdece, mas porque essas cobranças não são parte de mim.
Por me conhecer pouco não me permito juras e assim desconfio do jurador. Por ser enganada a quem fui leal e por enganar a quem me teve fidelidade.
Existem coisas que estão tão a sombra do passado que nada vai restar além da dúvida. E quem aqui se contenta com dúvidas?
Não quero parar de exigir apenas porque amo e porque no amor está o que cega e o que ensurdece, mas porque essas cobranças não são parte de mim.
Por me conhecer pouco não me permito juras e assim desconfio do jurador. Por ser enganada a quem fui leal e por enganar a quem me teve fidelidade.
Existem coisas que estão tão a sombra do passado que nada vai restar além da dúvida. E quem aqui se contenta com dúvidas?
quarta-feira, janeiro 21, 2009
mundo, vasto mundo...
...se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Os meu pés não são da terra, não. São da Lua, de qualquer lugar sem limites.
Meus desejos, hoje, tropeçam e ultrapassam qualquer barreira. Quero Berlim, Moscou, Budapeste. Quero todos os gostos, os cheiros. Movimentos e cores. Quero tudo que não me basta e nunca bastará. Qualquer vida é pequena comparada ao mundo, mundo, vasto mundo.
seria uma rima, não seria uma solução.
Os meu pés não são da terra, não. São da Lua, de qualquer lugar sem limites.
Meus desejos, hoje, tropeçam e ultrapassam qualquer barreira. Quero Berlim, Moscou, Budapeste. Quero todos os gostos, os cheiros. Movimentos e cores. Quero tudo que não me basta e nunca bastará. Qualquer vida é pequena comparada ao mundo, mundo, vasto mundo.
quarta-feira, janeiro 14, 2009
momento sem tempo.
por um instante senti o corpo pesando sobre o meu, as cabeças em sentidos contrários, o calor da respiração. Minhas mãos passeavam por suas costas desenhadas e eu consegui desmentir aquilo que por tanto tempo afirmei com pura convicção: ninguém consegue pensar em nada, todo mundo tem nem que seja um esboço de pensamento e que essa é a mentira mais deslavada que dizem. Ao contrário, eu não pensei em nada. Não quis imaginar o futuro nem lembrar do passado; não tentei decifrar quais devaneios povoavam sua mente; não criei situações; não cantei no mudo. Eu senti e voltei toda minha concentração para sinestesia de passear minhas mãos por suas costas desenhadas. Ir e voltar, ir e voltar, ir e voltar...
... até os olhos se fecharem.
... até os olhos se fecharem.
quarta-feira, janeiro 07, 2009
2000inove.
Não fiz nenhum balanço de 2008 e nenhuma promessa prá 2009. Eu costumo quebrar todas as minhas promessas e creio já estar perdendo a credibilidade com os deuses.
Pela primeira vez eu senti receio do começo do ano, de olhar pelos 300 e tantos dias que tenho pela frente e não enxergar o que me espera. Sem planos a longo prazo, apenas com obrigações já antes comprometidas prestes a terminar.
É, 2000inove ( a la bradesco), vou lá, que andar é reconhecer. Guarde um sonho bom prá mim.
Pela primeira vez eu senti receio do começo do ano, de olhar pelos 300 e tantos dias que tenho pela frente e não enxergar o que me espera. Sem planos a longo prazo, apenas com obrigações já antes comprometidas prestes a terminar.
É, 2000inove ( a la bradesco), vou lá, que andar é reconhecer. Guarde um sonho bom prá mim.
terça-feira, dezembro 23, 2008
JOSÉ
E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José?
Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José?
E agora, José? Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio - e agora?
Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais. José, e agora?
Se você gritasse, se você gemesse, se você tocasse a valsa vienense, se você dormisse, se você cansasse, se você morresse... Mas você não morre, você é duro, José!
Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, José! José, para onde?
.
.
Ao José. Ao fim do ano.
quarta-feira, dezembro 17, 2008
terça-feira, dezembro 16, 2008
mal do século.
Nesse dias de ócio que a laringite me proporcionou, tive a possibilidade de bisbilhotar os universos on line alheios e pude perceber o mote de quase todo desabafo via web ( conhecido como blog) é uma compadecência de si mesmo. "Eu não sei quem sou", "não sei porque vim", "não sei o que fazer" e "sinto um vazio" são reproduzidos das mais diversas maneiras utilizando das mais curiosas metáforas. Mal de amor e mal de si mesmo são traduzidos em bilhões de páginas, e vejam, para tanta súplica não há nenhuma solução ( dos autores e dos leitores), apenas uma compaixãozinha tola.
Era da depressão via web.
foda-se.
Era da depressão via web.
foda-se.
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