terça-feira, janeiro 17, 2012

diálogo psicótico

Inspirado por Natália Klein.


Aconteceu que por uma ironia do destino, e com ajuda das facilidades tecnológicas eu encontrei um mocinho que já tinha até me esquecido da existência, e também com ajuda da divulgação da vida alheia nas redes sociais lembrei que ele é um brotinho, o que me deixou bem feliz.
De manhã, olho minha página e tem uma mensagem: "Oi, Ale. Tudo bem? Não me esqueci daquela noite", pensei: oba, ponto pra mim! e respondi: "Oi! Tudo bem e com você? Nem eu me esqueci. ;)" - essas carinhas com caracteres fazem muita diferença, ok?-. Mais tarde, checo a caixa de mensagens e me deparo com: "????". Eu fico uns 10 segundos estática olhando pra tela. Sério, o que isso "????" quer dizer? Eu penso, será que ele não entendeu minha mensagem? Será que errei em colocar uma carinha piscando? Será que ele me achou maluca? Será que a mensagem não foi? Será que ele não entendeu? De novo. Respiro, reflito, peço uma consultoria e chego a conclusão que a melhor resposta é: "oi?!", e inclusive foi a primeira coisa que me veio a cabeça mesmo, mas joguetes do amor via internet não dão segunda chance. Minutos depois me vem a resposta: "oi.".
OOOOOI? O que é oi? Sério. É pra eu responder oi, tudo bem?. Quem diabos manda oi. e pronto? Oi, o quê, diacho? Quase mandei um "Alou, Cristina" depois dessa.
Eu ainda não respondi, o que é uma pena, porque mesmo com problemas de interlocução, o mocinho ainda é um brotinho. E eu to solteira, né, mereço desconto.

segunda-feira, maio 30, 2011

Talvez eu só precise de férias e de um porre. Agora, no fundo, to vendo que a realidade que eu sonhava afundou num copo de cachaça e virou utopia.

domingo, abril 24, 2011

"Still, how much jurisdiction does fairness hold over sex? If fairness was what you wanted, your sex life would be as exciting as the algae growing in an aquarium.
The voice of reason." (HARUKI MURAKAMI - DANCE DANCE DANCE)

genius.

domingo, março 20, 2011

Novos ângulos me invadiram e me proporcionaram uma curiosa e nova perspectiva da vida. Da noite pro dia. Literalmente. Trabalho no horário da massa, saio no horário de pico. Minhas pernas doem todos os dias, mas minha face também, de rir. Quase não fumo mais. Bebo menos. Faz meses que troco convites imperdíveis por um sofá, filme, música e companhia ímpar. Achei que era velhice, mas é leveza. E to bem, bem demais. e é bom passar os dias assim, sem vampirizar ninguém, sem nada te sugar, me suportando, aceitando,me divertindo, tirando gota de mel do meio do fel. Deve ser resultado, finalmente, da minha maneira torta e atrapalhada, as cegas, as tontas, de fazer aquilo que acredito. Faz uma puta diferença.

domingo, fevereiro 06, 2011

É porque eu já apanhei pra caralho dessa coisa que chamam coração. Então, não me leve a mal se te pareço sensível demais, se penso demais. Eu preciso me defender, entende? Já procuro uma autoflagelação pra que isso não venha de outros. Parece loucura, mas entregar o coração para que o outro faça o que quiser é normal?

domingo, janeiro 30, 2011

Nota.

Funciona assim pra mim: as coisas acontecem, eu reajo de alguma forma e abstraio. Não é que eu não queira te dizer o que se passa, acredite, eu quero muito. Aliás, eu queria te encher de perguntas e entender o que você pensa, o que você quer. Eu queria te falar também o que eu penso e o que eu quero, mas não rola. Eu me preparo mas as palavras não vem. Toda essa ciranda de sentimentos, sinceridade e cuidado, respeitam o limite do meu mundinho, e eu sei, que eu dificulto a liberdade dessa confusão para que o ideal desse meu mundinho não se quebre. Falar abre a possibilidade de conferirmos as nossas diferenças. E se a nossa diferença nos afastar? Eu quero proteger isso bonito que a gente tem com um plástico bolha, e olha, eu sei que não é frágil, mas não me custa garantir. E assim, inventando que isolo a nós do perigo da vida, meu texto não passa. Mas não falar é fácil, baby, o difícil é não sentir.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Sabe, a vida tem uns caminhos estranhos às vezes. E esses caminhos, por um desvio ou por uma escolha, desencadeiam processos bem difíceis. Mas o mais foda é digerir e suportar a escolha de ter sido eu mesma e fazer aquilo que eu gosto - sabendo que muitos não compreendem e não aceitam.

quinta-feira, outubro 14, 2010

Palavras de uma desempregada.

Eu acreditei em Chico Buarque quando ele disse "e pela minha lei a gente era obrigado a ser feliz", e , não só cri, como transformei em filosofia de vida, em meta. Claro que essa história de ser feliz é abrangente, contraditória e fragmentada até. Mas eu consegui descobrir parte daquilo que me faria feliz ainda que fosse incerto, ainda que eu não soubesse o que viria depois, ainda que me faltasse coragem e suporte prá eu mesma tomar as rédeas desse caminho.
Ontem eu fechei mais um ciclo. Fui demitida. E eu tremia tanto na hora, que eu não sabia se era de felicidade ou era fruto daquela sensação de "caralho, já era, e agora?!". Mas eu saí saltitante e gritando aos quatro ventos que eu fui mandada embora. E as pessoas me deram parabéns, me desejaram sorte e fui comemorar.
E agora, José? Eu não sei. Não pude contar com o apoio unânime, claro. Desistir não é nobre aos olhos do mundo, e assim, arduamente não desistimos. A gente tenta se interessar por aquilo que é desinteressantíssimo e persistimos, esperando, sei lá, uma recompensa, uma segurança, um conforto. Ou não esperando nada, só querendo deixar do jeito que está.
De qualquer forma, ir atrás de algo que faça bem, que te faça feliz, deveria modificar uma vida. E essa foi a minha escolha, e eu já aguardo ansiosamente pelo preço dela, com um sorriso de orelha a orelha.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Eu ouvi tanto sobre os "nossos ideiais" nessa vida, que durante muito tempo o meu discurso era sobre um ideal. Ideal esse que nem eu sabia qual era. Mas é bonito você ter um ideal. Ideal político, social então, super cool. Essa coisa de reforma agrária, comunismo, vamos dividir até as nossas cuecas, adotar crianças da Etiópia, é muito bonito mesmo. Só que, porra, convenhamos, lutar contra o sistema dá um puta de um trabalho e foi aí que eu comecei a duvidar desse tal de ideal.
A idealização por si só gruda na nossa existência de uma maneira quase imperceptível, mas fundamental, uma vez que nossos desejos brotam daí. Não?! Pode apostar: não basta uma jabiraca velha que anda, tem que ser uma Tucson com ar condicionado; não dá prá ficar no trampo que te sustenta, tem que ser uma coisa que te deixe extremamente feliz; não basta namorar uma pessoa que gosta de você e te dá atenção, tem que ter 1.85, dinheiro, carro, te mandar flores uma vez por semana; isso seria o ideal. Ok, só que se é ideal não existe. E tudo isso me faz pensar que o "serumano" é sadomasoquista por natureza, seguindo o raciocínio de que se é ideal no ecsiste, e se não existe, há frustração, e se há frustração, a gente sofre. É uma ciranda de sentimentos recorrentes que vão sempre deixar sede no fim.
Então, não me venha me falar "não traia os seus ideais", porque eu não tenho ideal nenhum. Se a busca é estar bem, eu deixo as idealizações prá quem gosta de devanear e não sofre com isso. E, se há alguém que, de verdade, consiga essa proeza, please tell me! Eu quero mesmo aprender a sonhar sem cair da minha própria nuvem.

quinta-feira, agosto 26, 2010

Pérolas

Domingo passado eu ganhei uma estante e finalmente dei um lar novo aos meus queridos livros que estavam abandonados no chão. Mudar um móvel de lugar já motivo bastante prá meu exercício de desapego, ou seja, se livrar do passado e reciclar o presente. No meio da limpeza ncontrei uma listagem de absurdos ditos na minha sala quando estava no 3o ano do Médio.

Aqui vão:

- Ditongo é oposto de hiongo, né? (Raíza)
- Parabéns prá você / Nessa data divina! (Alê)
- Nossa, estou ardendo em gripe! (Carolzinha)
- Alê, olha seu olho! (Daniella) - ahn?
- Eu vou ler prá vocês, depois você ouvem. - é gravação?
- Não, é que dessa vez o meu cabelo eu cortei grande! (Danizinha)
- Prestem atenção porque isso aqui vocês vão usar pro resto da vida até o vestibular ( Prof Peppe) - Considerando que era química, nem no vestibular...
- Prof: Me dê um exemplo de uma solução sólida.
Rodrigo: Sopa de feijão!
Prof: Me dê um exemplo de uma solução líquido sólida
Rodrigo: Purê de batata e latinha de atum!
- Faixa de idade é faixa idosa. (Thiago Rodrigo)
- Como chama aquele negócio que põe no morto? Naftalina, né? (Andressa)
- O que acontece quando um morcego pica? (Alê)
- Quem comete fraude é fraudário. ( Alê)
- Quando termina a faculdade a gente se forma barechal. ( Fernanda)
- Alê: Eu ouvi que a clara do ovo é o espermatozóide do galo. A gente come o espermatozóide do galo?!
Daniella: Sim, e é por isso que dá espinha.
- O barco estava sobre a terra e assim naufragou ( Andressa)
- Vá pro Diabo que o parta! ( Naiara)
- Gente, é a mesma coisa, mas ao contrário ( Prof Peppe)
- Tá, vou falar em braile então. (Thiago Rodrigo)
- Aqui perto tem Os alcoolicos Autônomos (Daniele)
- O cruzamento da égua com burro dá cavalo! (Alê)
- Como eu faço um 3 em letra de forma? (Thiago Rodrigo)
- Ela nasceu de fosps. (Daniella)
- O mameluco é o que fica entre o português e o índio. (Gêmeos)
- Ih, meia noite a abóbora vira charrete! (Jaque)
- Alê, o que é uma vogal? (Jaque)
- Não nasceu meu dente narciso. ( Thiago R)
- Carolzinha: Vou falar sobre o Alberto Carneiro...
Thiago Gêmeos: É o heterogeneo de Fernando Pessoa
- Certa noite amanheceu... (Matheus Gêmeos)
- Os homens não merecem nossa fieldade! (Renata)
- Mentecapto é uma planta. (Andressa)
- A gente vai olhar os planetas no microscópio (Matheus)
- Ah, lapso é tipo um auge! ( Daniele)
- É bem parecida com os dias de hoje, mas muito diferente! (Matheus)
- Só foram descobertos 30% dos tesouros, os outros 90% não. (Matheus)
- Não, ela não tá grávida de grêmios! (Daniele)
- Eu falo em importado (Thiago Rodrigo)
- Gambá não tem perna! (Alê)
- Maritaca é um pássaro que fala ( Fernanda)
- Tem que molhar a saliva (Daniella)


Tem milhares, mas eu ficaria digitando até amanhã... E já me autodiverti muito por hoje!

segunda-feira, agosto 16, 2010

auto-engano

Eu sempre tive sérios problemas com minha falta de foco, que convenhamos, me gerou muitos problemas. Mas agora, eu me esforço é prá ficar distraída. Sem esperar nem desesperar nada. Toda atenção - e tensão - são bases construtoras de fantasias que, lógico, são construídas e, por serem fantasias, muitas vezes, são demolidas também. Isso de construir e derrubar eu manjo bem, eu derrubo quase tudo/ todas.
Agora eu to tentando me interessar apenas pelo não-saber, numa experiência - sei lá, indiana, psicodélica, espiritual, whatever - de deixar o corpo fora da mente, em descomando absoluto.

Confesso: tudo isso aí é uma bela tentativa de ME distrair. Não consigo descolar nem o ínfimo milímetro de pensamento dessa babaquice de deixar fluir. Mas ninguém precisa saber, muito menos eu.

terça-feira, agosto 10, 2010

Caminhando juntos, indo embora de algum lugar, me salta essa frase:
- Eu estava muito triste aquele dia em que você apareceu. E, eu fiquei feliz em saber que estavam lá, todos vocês... Uma lágrima escorreu.

Isso me tocou de muitos jeitos. Eu também tava triste, mas isso é tão comum em mim. Sou de gêmeos, fico alegre e triste a cada uma hora, tudo depende da distração do pensamento ruim pelo bom, da lembrança que substitui o bom pelo ruim. Mas você não. Você é bom. Você é frio. Você é bom demais, inteligente demais prá ficar triste. E eu vendo você, mero mortal, me entupiu de vontade de falar "porra, eu também! Você é meu melhor amigo, eu te amo, estamos juntos" mas me soou um pouco atrasado. Aí eu calei. Engoli como sempre todas as coisas bonitas que eu tenho prá te falar. Calei, te olhei, escapou um sorriso que eu queria muito que você lesse, e continuei caminhando.

quinta-feira, agosto 05, 2010

Meu nome é Caio F.
Moro no segundo andar,
mas nunca encontrei você na escada.


Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia - eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas.
Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para falar, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, o ver, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da concha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão.
No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto - preciso de alguém para dividir comigo esta sede. Para olhar seus olhos que não adivinho castanhos nem verdes nem azuis e dizer assim: que longa e áspera sede, meu amor. Que vontade, que vontade enorme de dizer outra vez meu amor, depois de tanto tempo e tanto medo. Que vontade escapista e burra de encontrar noutro olhar que não o meu próprio - tão cansado, tão causado - qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um Caminho. Esse, simples mas proibido agora: o de tocar no outro. Querer um futuro só porque você estará lá, meu amor. O caminho de encontrar num outro humano o mais humilde de nós. Então direi da boca luminosa de ilusão: te amo tanto. E te beijarei fundo molhado, em puro engano de instantes enganosos transitórios - que importa?
(Mas finjo de adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis. Engano, mistifico. Disfarço esta sede de ti, meu amor que nunca veio - viria? virá? - e minto não, já não preciso.)
Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus.
Preciso de você que eu tanto amo e nunca encontrei. Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço. Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas caírem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã.

Crônica publicada no jornal "Estadão", Caderno 2 de 29 de julho de 1987

Chorei.




quinta-feira, julho 08, 2010

[C.F.A]

"Tá limpo. Sem ironia. Sem engano. Amanhã, depois, acontece de novo, não fecho nada, não fechamos nada, continuamos vivos e atrás da felicidade, a próxima vez vai ser ainda quem sabe mais celestial que desta, mais infernal também, pode ser, deixa pintar. Se tiver aprendido lições (amor é pedagógico?), até aproveito e não faço tanta besteira. Mas acho que amor não é cursinho pré-vestibular. Ninguém encontra seu nome no listão dos aprovados. A gente só fica assim. Parado olhando a medida do Bonfim no pulso esquerdo, lado do coração e pensando, pois é, vejam só, não me valeu."

terça-feira, junho 15, 2010

Le Petit Prince, shut up!

A lição do Pequeno Príncipe ( ou para o P.P) ecoa na minha cabeça: " Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Okaaaaaaaaaaaaay, eu sei. Já entendi! Mas, sério mesmo, to cansada dessa responsabilidade. Eu quero ser responsável por outras coisas, essa aí demanda muito de mim. Talvez porque eu leve a sério demais e isso me remete a joguetes ridículos os quais eu to cansada de brincar. Deve ser hora de eu dar tchau pro Exupéry e ouvir um pouco mais de Tim Maia: "O que eu quero é sossego!"

sábado, junho 05, 2010

bla bla bla

Quando as coisas começam a ser verbalizadas, aí sim, viram problemas. Eu penso asim, pelo menos. Se eu engulo as palavras é como se eu conseguisse inibir o que eu sinto. Aí eu mastigo, mastigo, mastigo, mas mesmo assim algumas ficam entaladas, outras são cuspidas, vomitadas. Eu queria mesmo era ficar em silêncio e me enganar, que seja, sobre meus sentimentos. E eu já sei o que você vai me dizer, que é necessário falar, traduzir tudo, organizar, deixar o outro ficar sabendo. Tenho preguiça e um pouco de medo. As palavras são inúteis. Eu fico segundos parada, encarando num olhar desesperado meu interlocutor, as palavras vem, não dúzias, mas toneladas delas, e no final o que sobra é um sorrisinho amarelo, no máximo um "tudo bem" mal arranjado.
Eu desejava mesmo era falar com os olhos, com o tato, com o cabelo, com as mãos... Queria ainda mais, queria a compreensão desse meu texto e uma resposta longa - um beijo e um abraço bem apertado.

terça-feira, junho 01, 2010



Hoje me dei conta do quanto é dolorido deixar que os pensamentos voem.

domingo, maio 30, 2010

Em 23/01/08

Um passo atrás do outro e um tropeço. Dois passos e uma queda.

Quem se importa?

Cada um na sua. O momento é nosso, mas cada um é na sua. E fingir naturalidade diante disso é tarefa árdua, onde a face mostra um sentimento que é oposto ao que o estômago expõe.

Salvei isso como rascunho em 2008 e era exatamente o que eu queria dizer hoje. Incrível como tudo tende à repetição.

quarta-feira, maio 26, 2010

To deprê mesmo.

Final de tarde de uma quarta-feira ociosa. Eu me senti tão ou mais confusa depois que saí da psicanálise. Eu sei que isso tem se tornado frequente demais, e isso é um pouco (muito) chato. Mas fazer o quê se é assim que eu me sinto mesmo. É uma tristeza-garoa, fininha, cortante, duradoura, esperando que um relâmpago surpreenda. Aí eu penso no futuro. Ou melhor, no amanhã e no depois. O que vai acontecer? Trampo, coração, estudos... Aí eu pensei "sossega, o que vai acontecer acontecerá. Relaxa, baby e flui. Deixa assim ao deus dará, piegas, clichê e conformada".
Resolvi andar.

segunda-feira, maio 24, 2010

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
desejasse.

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há um tempo.
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento. [H.H]